16 de abril de 2012

O “x” do desenvolvimento nacional.

Por Diego Rabelo*

A atualização dos números referentes à atividade econômica brasileira apontou um recuou de 0,13% em janeiro, o que fez com que o governo anunciasse a prorrogação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) por mais três meses. Porém, o processo de desindustrialização provocado pela ‘dinamização’ do mercado mundial preocupa e foi pauta em diversos jornais, programas de debates, blogs alternativos, revistas especializadas e até em parte da grande imprensa. Medidas tímidas como a redução do IPI não são solução para uma economia que vislumbra ser uma das maiores do mundo (quinta) dentro de alguns anos, e que na verdade expõem a necessidade de uma estruturante reorientação na economia nacional.


O debate não é necessariamente novo, mas ganhou contornos de dramaticidade para trabalhadores e empresários brasileiros que temem perder mais espaço no mercado internacional (uns lucros, outros empregos). Diferentemente de outros tempos, a indústria brasileira joga cada vez menos um papel de importância na economia brasileira, o que leva este humilde blogueiro a se perguntar: sobre quais bases estão sustentadas a riqueza nacional? O espaço outrora ocupado pela indústria cede pouco a pouco às tentações do lucro fácil e improdutivo, componente básico da especulação financeira.


Em um país com graves problemas sociais e estruturais, onde a esquerda alçou o principal posto político da nação, organizar a produção interna torna-se tarefa das mais complexas, levando-se em conta que não houve uma ruptura com modelo capitalista. Parece contraditório ver empresários e trabalhadores ‘unirem-se’ em coro semelhante por mais atenção e investimento na indústria nacional por parte do governo federal. A falta de competitividade deste ramo esconde uma política perigosa que assenta o atual crescimento econômico na expansão do mercado consumidor interno.

A dependência para a fabricação de máquinas e equipamentos industriais, bem como agrícolas, de países como EUA, Alemanha e Japão, alinhada a falta de planejamento no setor determinam os limites do desenvolvimento. Enquanto na China o Estado intervém diretamente nos acordos para as instalações de empresas estrangeiras, obrigando-as a transferir tecnologia, no Brasil não existe essa regulação. Dessa forma, as linhas de montagem até chegam a nosso país, mas a tecnologia necessária para suprir as debilidades da indústria nacional não.

Em que pese à pobreza desta análise do ponto de vista político, que não leva em consideração as condições de trabalho dos trabalhadores chineses, bem como as conseqüências ambientais que resultaram do seu desenvolvimento, o “x” da questão parece estar apresentado. Grosso modo, o modelo chinês, mesmo reconhecendo a lógica de mercado que legisla as relações de produção no mundo capitalista, apresenta bons resultados quanto ao fortalecimento do seu parque industrial. Superar a dependência de máquinas, ferramentas e engenharia é um desafio central para estruturar o crescimento da produção tão necessário para o desenvolvimento nacional.

*Diretor de Direitos Humanos da UNE

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