16 de outubro de 2009

ENEM para os BI’s. Sim, e a formação profissional?*

*Por Rafael Damasceno / Enfermagem UFBA

Na última reunião do CONSEPE – Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão da UFBA houve a discussão sobre o novo método para adentrar nas Universidades. A proposta do MEC seria uma nova modalidade de ENEM unificado nacionalmente, ou seja, uma prova para todo o Brasil, em que os estudantes poderiam fazer em suas regiões tendo a oportunidade de escolher até cinco opções de cursos e instituições por todo o Brasil, de modo que o candidato poderá escolher cursos diferentes em instituições distintas. De fato é uma proposta, no mínimo, inovadora. As discussões iniciaram-se nos conselhos Universitários pelo país.

O debate sobre a modalidade de seleção nas Universidades é extremamente importante, afinal, a oportunidade de adentrar no Ensino Superior atualmente é relegada para poucos, sendo esta desigualdade de acesso executada e fundamentada pelo funil do vestibular. Entretanto, pôde-se perceber na citada reunião do CONSEPE uma arbitrariedade da Reitoria em afirmar que o “novo” modelo de entrada nas universidades pelo ENEN já seria válido para os BI’s – Bacharelados Iterdiciplinares, em vigor na UFBA. Esta afirmação é extremamente questionável quando coloca os BI’s em um patamar “fora” do universo acadêmico da UFBA. É como se os BI’s fossem uma outra Universidade, o que é uma incoerência tamanha. Os estudantes dos BI’s não podem ser considerados “diferentes” dos estudantes de graduação linear. Estes têm que pertencer a totalidade dos estudantes da UFBA, assim sendo também a eles garantidos diversos direitos que atualmente lhe são negados.

Nesse sentido, é possível perceber o fato que o Reitor tem com os BI’s a oportunidade pessoal de realização de uma experiência empírica subjetiva, excluindo a oportunidade de toda a Comunidade UFBA discutir e participar do processo decisório sobre os BI’s, ou seja, tendo os BI’s como propriedade pessoal. A UFBA não pode ser o trampolim político de Naomar para o ministério da educação. Isso é no mínimo irresponsável.


Assim, O ESTOPIM, reafirma a necessidade de inserção do Movimento Estudantil organizado nesta discussão, para que possamos cobrar a Reitoria um posicionamento qualificado sobre este novo Modelo de entrada nas Universidades, abrangendo assim a totalidade dos estudantes. A comunidade dos BI´S não pode ser enganada pela reitor Naomar. Queremos saber dele quando irá parar de fazer propaganda das maravilhas dos BI´s e garantir a centralidade da discussão que é a verdadeira formação para todos esses estudantes, assim, como a garantia material para que estes permaneçam de forma digna na Universidade.

A REITORIA TEM AGORA A RESPONSABILIDADE DE GARANTIR A CONTINUIDADE DOS ESTUDANTES DOS BI´s NA UNIVERSIDADE!!!

COM A PALAVRA O SR. REITOR NAOMAR DE ALMEIDA FILHO...


10 de outubro de 2009

Sessão Debate - Violência em Salvador


Liberdade a Cesare Battisti!*

*Por Diego Rabelo/Museologia-UFBA

No ultimo dia 09 de setembro foi à julgamento o pedido do ministro da Justiça Tarso Genro no que concerne a concessão do refúgio ao ex-militante de esquerda Cesare Battisti. Mais uma vez foi adiada a sua decisão, já que o ministro Marco Aurélio Mello, depois de se manifestar favoravelmente ao ato do ministro pediu vistas do processo. O caso ganhou contornos colossais pela mídia conservadora por se tratar de um ex-guerilheiro que combateu na Itália durante um período conhecido como “anos de chumbo”. Battisti, militou em diversas organizações extra-parlamentares e em 1977, após ser preso pela segunda vez, aderiu ao grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).

Entenda um pouco a cronologia do caso...

O caso foi reaberto na Itália após dez anos quando, o que o próprio Battisti alcunhou de “um preso arrependido”, Pietro Mutti, companheiro de Battisti nas PAC, se colocou em colaboração com a justiça italiana e foi benefiado pela delação premiada. A sentença para Battisti foi a prisão perpétua. As circunstâncias em que se deu o ocorrido acordo são absolutamente questionáveis bem como a arquitetura completa da obra afim de descolar um bode espiatório.

As seguidas batalhas judiciais tiveram diferentes cenários geográficos. Na França, durante o governo Mitterrand, Battisti viu o destino lhe sorrir quando no 65º Congresso da Ligue des Droits de l'Homme (Liga dos direitos Humanos), uma resolução assinalava que: “pessoas envolvidas em atividades terroristas na Itália até 1981 e que tivessem abandonado a violência poderiam optar pela permanencia na França, caso não praticassem mais crimes”. Battisti então retorna para a França, onde já se estabelecia sua família, mas é preso em 1991 por conta de um pedido de extradição da justiça Italiana (o primeiro de muitos). Ficou preso durante quatro meses até o pedido ser negado pelo governo francês, que mais tarde cedendo as pressões do governo italiano, o julga pela segunda vez e novamente o nega.

Com a mudança de governo naquele país e a ascensão de Chirac as intituições de Justiça aceitam um novo pedido de extradição de Battiste em 2004 para a Italia. Battiste foge e é preso em 2007 no Rio de Janeiro durante uma operação conjunta que envolveu a Interpol e as polícias brasileira, italiana e francesa. Desde então trava batalhas judiciais, de opinião pública e também para se manter em sã consciência. Battisti também é escritor e em cárcere deu origem ao seu “Minha fuga sem fim”, onde faz algumas reflexões sobre as condições políticas na Itália e sobre a sua experiência na luta armada.

A opinião do nosso coletivo:

Não se trata aqui de um feitiche com o governo Lula mas, a decisão demosntra e reforça a nossa opinião de combatermos o esquerdismo doentil, impregnado em alguns setores do movimento social, que resumem a sua análise sobre este a palavra de ordem “neoliberal”. Na verdade, a posição do Ministro Tarso Genro e da majoritária do PT, não é mais que a obrigação de um governo eleito com muitos anseios dos movimentos sociais, principalmente dos familiares daqueles que combateram e tombaram durante a ditadura militar aqui no Brasil.

Convenientemente esses mesmos setores não manifestaram uma única palavra a respeito do caso. Ora, será que a postura dos opositores do Governo de Lula deve mesmo ser apenas uma prática denuncista, sectária e oportunista a ponto de fazer vistas grossas a toda e qualquer atitude correta que este venha a adotar? De nossa parte temos inúmeras críticas ao governo, a majoritária do PT e inclusive, a esquerda do próprio partido, mas devemos ser responsáveis com as nossas atitudes e por isso apoiamos o Ministro Tarso Genro no que concerne o caso Battiste.

Os perseguidos políticos dos regimes autoritários como: os fascista, os nazista, ou qualquer ditadura de direita que solicitarem refúgio político devem ser acolhidos pelo nosso país como uma atitude livre e soberana. Essa luta se inicia no campo democrático e deve ser compreendida como um combate pela defesa dos direitos políticos que qualquer cidadão dispõe. Por tanto defendemos o refúgio a Cesare Battisti e aos diversos cidadãos que estejam na mesma situação independentemente da sua respectiva nacionalidade respeitando, dessa forma, a constituição de 1988, que veda a extradição motivada por dissonâncias políticas.

Combateremos para que a postura do governo seja intransigente no que diz respeito a sua soberania bem como para que este exemplo de vigor seja adotado também na abertura dos arquivos da ditadura no Brasil.

5 de outubro de 2009

Aborto Provocado é questão de Gênero!



*Por Thiago Fiel/Enfermagem UFBA


A sexualidade masculina e feminina construída socialmente cria estereótipos em que a sexualidade masculina é reconhecida como incontrolável, cheia de permissões e incentivos, e a sexualidade feminina é recheada de cobranças e restrições, devendo ser despertada e estar subordinada à vontade do homem. A ideologia responsabiliza a mulher e exime os homens de qualquer responsabilidade na questão da contracepção e da maternidade. A idéia que predominava e que ainda persiste é a responsabilização da mulher pela gravidez, mesmo nos casos de violência sexual ou risco de vida. A decisão de ser ou não ser mãe não é uma decisão fácil e o que, aparentemente, parece ser uma decisão individual, envolve uma série de fatores.

O aborto torna-se, então, a única saída para estas mulheres e, neste desafio, elas arriscam suas próprias vidas, quando decidem interromper a gravidez utilizando-se de quaisquer recursos que tenham à mão. Esta decisão muitas vezes é vivida de forma solitária e clandestina, ou sobre pressão dos parceiros ou familiares. O sentimento de abandono não significa necessariamente que sejam deixadas sozinhas, mas sim porque o parceiro e familiares são os primeiros a propor o aborto, sem maiores indagações.  Por ser proibido, o aborto leva a pressões psicológicas e sociais muito grandes, sendo carregado de medo, culpa, censura, vergonha, e estas mulheres ainda enfrentam o desprezo, a humilhação e o julgamento dos profissionais de saúde. A prática do aborto inseguro, especialmente evidencia as diferenças socioeconômicas, culturais, étnico-raciais e regionais diante da mesma ilegalidade do aborto.

É no âmbito de um ideário igualitário de gênero no campo dos direitos sexuais e reprodutivos que o tema do aborto deve ser percebido. Relações de poder e de gênero desiguais e violentas não podem ser reproduzidas e legitimadas pelo Estado, a partir de uma legislação que criminaliza as mulheres por um procedimento de saúde de que somente elas necessitam. Hoje não faz sentido falar-se em igualdade formal ou material, visto que há unanimidade de entendimento no sentido de que a isonomia adotada no sistema jurídico é a material que consiste justamente em tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na exata medida de suas disparidades.

Muito ainda há que se percorrer. E a partir da constatação de que a legislação não se adéqua ao espírito das lutas sociais, os movimentos devem se organizar e lutar para que a sociedade absorva o os direitos sexuais e reprodutivos de uma maneira que atenda a tod@s e não de uma maneira fictícia imposta pela lei que muitas vezes se tronam gritantemente inconstitucionais para atender as necessidades de um grupo patriarcal.

Por isso nós de O ESTOPIM! reivindicamos os direitos femininos pela liberdade de escolha, com a assistência do Estado e com o respeito da sociedade. Que mais nenhuma mulher morra pela ilegalidade!


3 de outubro de 2009

Passe Livre Estudantil

Um dos encargos mais pesados e exorbitantes para um (a) chefe de família na sociedade capitalista é sem dúvidas o gasto com o transporte. Para uma família trabalhadora, no Brasil, chega a ser o segundo maior gasto no mês. Em contrapartida os capitalistas donos das empresas de transporte lucram absurdamente à custa de um serviço ruim. As grandes cidades sofrem com a caótica situação do transporte público e a juventude é principal afetada, pois são estes que constantemente necessitam se deslocar para a escola e para diversas outras atividades.


Em Salvador pode-se perceber o caos do transporte público e o número cada vez maior de veículos particulares, o que leva nos horários de pico a uma situação absurda de congestionamentos quilométricos. Isso reflete diretamente na qualidade de vida do cidadão soteropolitano, pois o ambiente fica poluído com tantos veículos eliminando gás carbônico além do caos sonoro de buzinas e motores. Uma solução a médio prazo não efetuada e então teremos uma cidade intransitável no período de cinco anos.
Em contrapartida o SETEPS realiza ajustes anuais sob o argumento da defasagem da tarifa do transporte público em Salvador, se comparada a outras cidades. Isso é no mínimo cínico! É inaceitável ver o senhor Horácio Brasil e sua corja dizer que o transporte público de Salvador não lhe rende divisas. Ora companheiros, o cálculo é bem simples, a nossa cidade tem pouco mais de 3 milhões de habitantes, onde 2 milhões se utilizam do transporte público para se deslocar para o trabalho, para as escolas, enfim para cumprir a sua rotina cotidiana. Então o SETEPS pode falar qualquer coisa, menos que não está lucrando em Salvador.

Para provar a mentira contada pelo SETEPS, é necessário propor ao conselho de transportes, sem nenhuma ilusão a este órgão, que aconselhe a prefeitura de Salvador a abrir novas licitações para o transporte público fixando um valor que corresponda ao valor do salário mínimo além de garantir o passe livre para todos os estudantes e desempregados. Sem dúvidas de que essa estratégia desnudará a falácia dos empresários que dirão sobre a impossibilidade de tal implementação dessas reivindicações. De nossa parte diremos, não temos nada com isso e queremos que seja assegurada a nossa reivindicação e o nosso direito.

Neste sentido, nós do coletivo O Estopim! defendemos o passe livre para estudantes e desempregados. Entendemos que o direito de ir e vir da juventude deve ser respeitado, e que os empresários de ônibus devem arcar, de agora em diante, com qualquer adversidade financeira na matéria prima do transporte e com qualquer ônus causado pelos reflexos da economia.

O que se passa em Honduras?*

*Por Diego Rabelo/Museologia-UFBA
No dia 28 de junho deste ano o Presidente eleito de Honduras Manuel Zelaya foi preso, de pijamas no seu quarto, pelos militares hondurenhos e expulso para a Costa Rica, sendo substituído por Micheletti. Este fato rememora uma terrível sensação vivida pelos povos latino-americanos durante as décadas de 50 à 80, quando o imperialismo estadunidense financiou e participou de diversas ditaduras na intenção de barrar a ascensão do perigo soviético.

O golpista Micheletti, em uma atitude lastimável expulsou o presidente eleito com apoio do aparato judiciário e do alto comando militar sob a alegação de que Zelaya pretendia propor uma alteração na constituição do país para que fosse, então, legalmente permitida a sua reeleição, visto que, o seu governo goza do apoio popular.

Zelaya e seus partidários articulavam durante o período de seu governo, respeitando os marcos da constituição e da legalidade, uma proposta que o colocasse mais uma vez no pleito de 2009, onde fatalmente sairia vencedor. A idéia de Zelaya era fazer uma consulta onde os eleitores teriam que responder sim ou não à seguinte pergunta:
Está de acordo que nas eleições gerais de novembro de 2009 se instale uma quarta urna para decidir sobre a convocação de uma Assembléia Constituinte que aprove uma nova Constituição política?
Os setores conservadores do país pressionaram o congresso e seus representantes que aprovaram uma nova lei que regulamenta os referendos e os plebiscitos e invalidava juridicamente a consulta. Segundo esta nova lei, este tipo de consulta não poderia ser feita 180 dias antes e 180 dias após o pleito que elegeria os novos representantes do país e também o seu presidente.

Após sucessivas tentativas de negociação com o governo golpista, os países membros da ONU e OEA seguem sem grandes resultados, pois este se nega a restabelecer Zelaya na presidência. Para completar a obra, um novo fato, o presidente Zelaya esta preso na embaixada brasileira e sitiado pelo exército e pela polícia, enquanto mantêm um toque de recolher que tolhe os direitos de ir e vir da população, bem como a sua privacidade, pois qualquer amontoado de pessoas tem o respaldo dos golpistas para ser disperso, inclusive com violência.

O que esta em jogo para além da disputa pelo poder, é a situação de assistirmos mais uma vez na nossa vizinhança o descalabro de golpistas desqualificados e antiquados que sobrepõe à opinião popular respaldado em uma elite golpista e sem escrúpulos que, apavorada com os ventos libertários que sopram na América latina, tentam a todo custo e inclusive, do sangue do povo manter os seus privilégios sobre a maioria explorada.

O governo americano que se julga paladino da democracia e da liberdade não parece ter grande disposição em restabelecer a ordem em Honduras. Se, desta vez os ianques não estão envolvidos no golpe, a sua vontade em resolver a questão não é lá das mais voluntárias, afinal de contas, o governo golpista se encaixa perfeitamente nas suas pretensões geopolíticas para a região.

A postura do governo brasileiro e dos demais governos latinos deve se manter na defesa e no respeito as instituições democráticas daquele país, inclusive, preparados militarmente para o restabelecimento da democracia. Não se pode tolerar este tipo de golpe bem como qualquer tipo de violência contra a sua população.

Não ao golpe em Honduras! Pelo retorno de Zelaya a presidência de Honduras!

30 de setembro de 2009

Informativo ISKRA Edição Especial

"(...) Art. 206 – O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
1. Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. (...)" (Constituição Federal Brasileira de 1988)


Assistência Estudantil: Direto de tod@s!

*Por Thiago Fiel/Enfermagem-UFBA

A educação, na legislação brasileira, é concebida como um direito fundamental, universal, inalienável e um instrumento de formação ampla na luta pelos direitos da cidadania e pela emancipação social. Nessa perspectiva, a educação se compromete com a formação integral do ser humano, alcançando todas as dimensões de sua relação com a sociedade.
As classes populares, no Brasil, sempre estiveram à margem do poder. Em conseqüência, as aspirações populares, em matéria de educação, não encontram ressonância: a educação é eminentemente elitista e antipopular.
A nossa percepção vislumbra a ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL como provedora dos recursos necessários para transposição dos obstáculos e superação dos impedimentos ao bom desempenho baseado na formação crítica, humanista e de qualidade. Assim sendo ela transita em todas as áreas dos direitos humanos, compreendendo ações que proporcionem desde as ideais condições de saúde, o acesso aos instrumentais pedagógicos necessários à formação profissional, nas mais diferentes áreas do conhecimento, o acompanhamento às necessidades educativas especiais, até o provimento dos recursos mínimos para a sobrevivência do estudante tais como moradia, alimentação, transporte e recursos financeiros.
A administração central publicou no portal eletrônico da UFBA, em 2007, suas metas para assistência estudantil até 2012:
"1. Ampliar, gradualmente até 2012, em pelo menos 200 %, os atendimentos a estudantes em situação de vulnerabilidade social e econômica contemplados nas diversas modalidades de apoio social e acadêmico.
2. Reservar, em todos os programas de assistência estudantil, 50% das vagas para cotistas e 50% das vagas para não-cotistas em situação de vulnerabilidade social e econômica.
3. Ampliar, reequipar e reestruturar o Serviço Médico Rubens Brasil Soares, tornando-o Centro
de Promoção da Saúde da UFBA. "
Dois anos já se passaram as metas parciais não foram vencidas....
A importância da assistência estudantil nesta instituição, que cada vez mais amplia suas vagas sem estruturar-se adequadamente às demandas, mostra que devemos nos organizar, mostrar o poder dos estudantes como agentes históricos da transformação social.

Neste intuito nós de O ESTOPIM! Chamamos a tod@s para construção da: CAMPANHA PELA ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL DE QUALIDADE!

Queremos levar aos 4 cantos e aos 3 setores desta universidade as nossas propostas, que construídas coletivamente transformarão e ampliarão este debate tão polemico! Participe você também seja um agente de nossa história, faça a sua parte!

1. Pela Abertura do restaurante Universitário de Ondina;
2. Construção da Residência Universitária da Garibaldi;
3. Pela ampliação das bolsas de permanência na Universidade;
4. Pela Renovação e ampliação do acervo bibliográfico;
5. Pela revitalização do SMURB;
6. Pelo transporte universitário (BUS-UFBA);
7. Pela melhoria e ampliação da creche universitária;
8. Criação do Fórum institucionalizado para assistência estudantil;
9. Assistência estudantil aos campi Barreiras e Vitória da Conquista.

4 de abril de 2009

REUNI implantado. Mas cadê a Assistência Estudantil?

"Assistência estudantil" é o conjunto de ações políticas que visam melhorar as condições de permanência, pós-permanência e o melhor aproveitamento dos estudantes tanto no ensino, como na pesquisa e extensão. A Universidade deve prover de meios que garantam o bom desempenho acadêmico e político do estudante universitário, como residências e restaurantes universitários; creche; auxílio para despesa em saúde, trabalhos acadêmicos, e participação em eventos; transporte; serviço de atendimento médico; cotas de “xérox” de matérias, entre outros serviços.

Em 2007 foi criada na UFBA a PRÓ-REITORIA DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL (PROAE) com o intuito de organizar as demandas dos estudantes. Depois de mais de um ano de existência pouco se tem feito para por em prática o conceito que traz em seu nome.

A verba ainda continua a mesma que era destinada a SET (Superintendê ncia Estudantil), um valor de R$ 4 mil reais/mês (tendo parcela extra de dinheiro obtida de Fundações Privadas de Apoio), valor este que é utilizado para uma demanda de mais de 20 mil estudantes. Hoje, do orçamento de 600 milhões da Reitoria, apenas 0,1 % é destinado a Assistência Estudantil, segundo o relatório de gestão da UFBA.

O índice de evasão nas universidades federais chega, em média, a 50%, devido a vários fatores, como: falta de aptidão com o curso; falta de condições financeiras de se manter na Universidade, sendo este um dos pontos mais agravantes, principalmente para os estudantes cotistas oriundos do interior do estado.

Segundo o FONAPRACE (FÓRUM NACIONAL DE PRÓ-REITORES DE ASSUNTOS ESTUDANTIS E COMUNITÁRIOS) , em pesquisa realizada em 2003 e 2004, nas IFES (Instituições Federais de Ensino Superior), constatou-se que 43% dos estudantes pertenciam às categorias C, D e E - categorias que englobam alunos provenientes de famílias cujos chefes têm atividades ocupacionais que exigem pouca ou nenhuma escolaridade, cuja renda familiar média mensal é de no máximo R$ 927,00. Com isso, percebe-se nas situações atuais das Universidades Federais Brasileiras, uma contradição de acordo com as condições sociais apresentadas, onde as Políticas de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil NÃO SÃO ENCARADAS COMO POLÍTICAS PRIORITÁRIAS.

Existem muitas IFES que possuem restaurante universitário, como a UFPB que oferece 2.200 refeições diárias gratuitas; a UFMT com 3.000 refeições diárias a R$1,00; UFAM com 1.000 refeições gratuitas para residentes e a R$1,30 para não-residentes; UFPA com 1.300 refeições a R$1,00. Pode-se perceber que destas Universidades listadas, que são apenas algumas de um universo bem maior, todas vêm de locais do Norte-Nordeste e têm condições sócio-econômicas não muito distantes da realidade baiana. Então, porque na UFBA não podemos ter um Restaurante Universitário? Poderíamos sim, caso fosse a prioridade da reitoria. Mas é fato que esta, não o é.

Novos fatos chegam para precarizar ainda mais a Assistência Estudantil nas Universidades Públicas Brasileiras. Nesta conjuntura de crise estrutural do capitalismo, o governo Federal já vem cortando verbas em vários setores, sendo um deles a Educação Superior. Os Diretores de Unidades Acadêmicas da UFBA já tiveram os orçamentos de suas unidades reduzidas em quase 50% neste início de 2009. Este corte também chegou a Pró-Reitoria de Assistência Estudantil. Assim esta, que já tinha uma parca verba, agora terá uma quantia irrisória para atender uma imensidão de estudantes que chegaram com o REUNI. Teremos um orçamento mensal de R$ 4.000,00 mensal, para atender uma demanda de mais de 30.000 estudantes. É desesperador.

Neste sentido, “O ESTOPIM” – Coletivo Organizado de Estudantes, vem fazendo frente nesta LUTA por Assistência Estudantil. Defendemos:

Ø ABERTURA IMEDIATA DO RESTAURANTE UNIVERSITÁRIO DE ONDINA, COM 5000 REFEIÇÕES E BANDEJÃO GRATUITO;
Ø AMPLIAÇÃO DOS SERVIÇOS PRESTADOS PELO SMURB, COMO ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA;
Ø TRANSPORTE GRATUITO ENTRE OS CAMPI DA UFBA;
Ø AUMENTO DA OFERTA DE VAGAS PARA RESIDÊNCIA ESTUDANTIL;

Acreditamos que apenas com a organização política d@s estudantes, para que, juntos e articulados, poderemos exercer uma pressão política nos órgãos responsáveis, (Leia-se Reitoria) exigindo assim RESPEITO às necessidades dos estudantes e implantação imediata das nossas reivindicações!

OS ESTUDANTES NÃO PAGARÃO PELA CRISE!



O ESTOPIM - “Incendiando corações e mentes...”

11 de fevereiro de 2009

AOS IMPERFEITOS

Texto elaborado com finalidade de recepcionar os novos estudantes da UFBA.


Sejam bem vindos a Universidade Federal da Bahia, templo da cultura, dos saberes, da arte e da LUTA. Dou as boas vindas aos imperfeitos, pois estes são os únicos que podem sonhar e criar um estado de transformAÇÃO. Os perfeitos são completos e realizados com sua banguela intelectualidade, sorrindo para a realidade teatral, como se o mundo fosse feito de um simples mudar de canal.

Não, com certeza estes não são vocês que estão neste lugar procurando as perguntas para as respostas que nos ensinaram. Quais são as perguntas? Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta do Almodóvar e sabe o valor de uma boa comédia romântica.

Há pouco tempo, conversando com uma amiga sobre o que deveria escrever para recepcioná-los, ela confessou uma lição. Quando ela ingressou no curso de Psicologia, uma professora falou sobre a falta como um elemento crucial na formação dos alunos da UFBA. Que a falta de recursos, de condições materiais para seguir a graduação, ausência de um qualificado método pedagógico dos professores, entre outras tantas deficiências, têm um papel central na formação ao mostrar aos poucos ao aluno que ali é um lugar de falta...Um lugar onde ele não vai encontrar o que precisa e que por isso ele terá que aprender a buscar por seus próprios meios. Eis o nosso diferencial. Ir além, além do previsível, além do possível.

Tomo a liberdade, diria até audácia de completar dizendo que esses meios se darão através da organização coletiva. O indivíduo possui um importantíssimo papel na construção da história, mas para que seus atos surjam efeitos é preciso um coletivo organizado. Jesus precisou de seus discípulos, Lênin necessitou dos Bolcheviques. Os estudantes necessitam de um coletivo estudantil politizado. E neste momento de inquietações surge o novo incendiando corações e mentes.

Mas de onde surge esta necessidade de se organizar? Esta procura… esta urgência em procurar as perguntas… quando a mais simples das questões permanece sem resposta? Por que estamos aqui? O que é a alma? Por que sonhamos? Talvez estivéssemos melhor se não procurássemos, não sondássemos, não ansiássemos…

Mas tal não é a natureza humana, o coração humano. Não é por isso que aqui estamos. E, no entanto, procuramos dar um contributo, como diz um amigo: salvar o mundo; sonhamos com esperança, sem nunca saber quem iremos encontrar, quem -entre um mar de desconhecidos- nos pegará na mão,… nos tocará o coração… e partilhará conosco a dor da tentativa.

Sonhamos com esperança, sonhamos com mudança, com fogo, com amor, com morte, com o fim da luta silenciosa de classes. Esta nova passagem é o seu sonho se realizando. E a resposta a esta busca, esta necessidade de resolver os mistérios da vida revela-se finalmente. Como a luz incandescente de uma nova alvorada…

Tanta luta por um sentido, um objetivo, para, no final, o encontrarmos nos nossos semelhantes, as experiências do fantástico e do mundano… que partilhamos… A simples necessidade de encontrar um congénere a quem nos ligarmos… e de sentir, lá no fundo,… que não estamos sós.

A universidade é um ritual de passagem, ou deveria ser. Esta passagem de vulgar a extraordinário não se faz de um dia para o outro. Todas as histórias têm um começo. Para os imperfeitos, o pimeiro semestre da sua epopéia começa aqui…

SEJAM BEM VINDOS!

Thiago Fiel dos Santos, um dos militantes de O Estopim! “Incendiando Corações e Mentes”

Dica!

Tai galera pra quem quiser ficar por dentro do que acontece em relação ao aborto:

http://www.youtube. com/watch? v=8fObiDQfdA0&feature=related

http://www.youtube. com/watch? v=XbSUP0G5_ Y0&feature=related


Falemos de aborto
Por
Anna Azevedo

Pela primeira vez no Brasil, o Governo se mostra disposto a estimular o debate sobre a descriminalizaçã o do aborto. O ministro da Saúde, José Rubens Temporão, é abertamente favorável a novas regras que assegurem à mulher o direito de fazer o aborto em hospitais públicos, com segurança. Por ano, 200 brasileiras morrem vítimas de complicações pós-abortos inseguros. Norma recente do Ministério da Saúde obriga todos os hospitais públicos a atenderem mulheres vítimas de complicações de abortos inseguros, tratá-las com dignidade, sem nenhum julgamento moral. Os grupos contra aborto costumam ser radicais e agressivos. No meio desta discussão, chega ano que vem ao mercado o novo documentário da cineasta Thereza Jessouroun (ao lado de Dib Lutfi na foto acima), “O fim do silêncio”. Mulheres mostram seus rostos e falam abertamente sobre como e porque fizeram aborto. O trailer já está no Youtube e as manifestações contra e a favor já pipocam na internet.

O que te levou a fazer um filme sobre este assunto?

Quando o atual ministro da Saúde, José Gomes Temporão, assumiu o cargo, na sua primeira entrevista, declarou que o aborto é uma das principais questões de saúde pública do país. Sua declaração provocou reação imediata e polêmica na sociedade. Pela primeira vez, um ministro da Saúde tinha a coragem de tratar o tema abertamente. Comecei a ler sobre o assunto e achei que este era um tema que valia um documentário. Alguns meses depois, a Fiocruz Vídeo abriu um edital público para a produção de um documentário de 52 minutos cujo tema era saúde pública. Entrei com o projeto e ganhei.
Como o documentário está estruturado formal e conceitualmente?A estrutura do documentário é bem simples: mulheres, de várias idades e profissões, e de três estados do país (Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco) falam para a câmera, sem esconder rosto nem identidade, como e porque fizeram o aborto. Estas regiões são as que apresentam maior índice de abortos inseguros do país (Sudeste e Nordeste). Uma câmera-car introduz cada mulher, revelando o bairro onde vivem. Alguns inter-títulos pontuam o documentário com as principais informações: números de óbitos que ocorrem, a cada ano, por abortamento inseguro, método mais comum etc.


Por que o filme optou por ouvir apenas as mulheres que praticaram e são favoráveis ao aborto?

Porque acho que o documentário, ao contrário do jornalismo, sempre imparcial, deve apresentar uma posição. Sou a favor da descriminalizaçã o do aborto e mostrei no filme porque. Ao expor as razões de mulheres comuns, como todas nós, por terem feito o aborto, ajudamos a por fim ao tabu que este tema ainda é no Brasil. O documentário é claramente a favor da descriminalizaçã o do aborto. (continua aqui)

Como foi o trabalho de busca pelos personagens?

Divulgamos na internet, em listas de ONGs feministas, listas de partidos políticos e na lista do Terceiro Setor, que estávamos procurando mulheres de todas as idades e destes três estados, que quisessem falar ao filme sobre como e porque fizeram aborto, de preferência há mais de oito anos (prazo em que o “crime” prescreve). Avisamos que não seria pago cachê às entrevistadas. O texto foi repassado de lista em lista com uma rapidez impressionante. A resposta foi surpreendente e tivemos um total de 22 mulheres. Entrevistamos todas que se ofereceram, mas avisamos que haveria uma seleção na edição final. Todas as mulheres entrevistadas disseram que estava mais do que na hora de acabar com este tabu, e que estavam felizes em poder contribuir para a discussão.

Houve alguma dificuldade durante as filmagens por conta do tema?

Todas foram muito corajosas e dispostas. Apenas uma ficou indecisa na hora de gravar porque o pai mora no interior e não sabe que ela fez aborto. Esperei que ela resolvesse, sem nenhuma insistência, mas ela acabou optando por falar, achava importante contribuir. Ofereci ainda a alternativa de, caso ela se arrependesse ao longo do mês seguinte, poderia me telefonar que eu não usaria o depoimento dela. A edição ainda demoraria um pouco. Ela não me telefonou.

O tema aborto no Brasil é polêmico, mas o governo está incentivando um debate nacional. Você tem alguma expectativa de que seu filme seja usado neste processo?

Tenho certeza que o filme vai ajudar neste processo. As cenas que colocamos no youtube, em duas semanas, já tiveram 1.933 exibições (este número pode ser maior, pois não sabemos quantas pessoas assistem a cada exibição) e estão gerando uma discussão impressionante no Orkut, em comunidades que discutem o aborto, e no próprio youtube. A versão de 52 minutos será distribuída em DVD, com extras que não entraram no filme: instituições públicas, fundações, ONGs, OCIPs e universidades poderão solicitar cópias gratuitas ao Vídeo Saúde - Distribuidora da Fiocruz e também estará à venda pelo Selo Fiocruz Vídeo, através do e-mail fiocruzvideo@ fiocruz.br. Acredito que o documentário vai contribuir bastante na discussão do tema no país.

Com o trailer na internet, você já notou algum tipo de reação ao filme?

A reação tem sido extraordinária. Temos recebido dezenas de e-mails de parabéns, de apoio e entusiasmo, mas também muitos radicalmente contra, condenando as mulheres que falaram, me acusando e às mulheres que dão o depoimento, dos maiores absurdos. As mensagens mais agressivas eu não leio. Acho ótima a polêmica, e eles estão discutindo entre si. Vale a pena dar uma olhada na discussão. Os grupos contra aborto costumam reagir de forma violenta contra os que são favoráveis à legalização.

Você teme ter de enfrentar esses grupos?

Já me alertaram bastante sobre isto. Até agora nada aconteceu porque o filme ainda não está totalmente pronto, está sendo visto somente no Youtube. Estamos pensando em exibir uma versão de 72 minutos, que é a mais completa, nos cinemas, para atingir um público diferente. Se isto acontecer, não sei que reações poderia haver.

Você é contra ou a favor do aborto, por que?

Não se trata de ser a favor ou contra o aborto, mas sim de ser a favor ou contra a descriminalizaçã o do aborto. Nenhuma mulher toma a decisão de fazer um aborto de maneira fácil. Sou totalmente a favor da descriminalizaçã o do aborto, pois acho que é um direito da mulher poder decidir se está ou não na hora de ter o filho. Acho que a criminalização do aborto não impede que ele seja feito. Ao contrário, no Brasil ocorrem cerca de um milhão de abortos inseguros por ano, feitos com métodos que põem em risco a vida de mulheres que não podem pagar abortos seguros feitos em clínicas particulares. Elas fazem em curiosas, com sondas, com injeção de líquidos com iodo, com risco de perfuração do útero, ou com dosagens erradas de cytotec (misoprostol) , que provocam abortos incompletos. Têm que recorrer ao SUS para fazer a curetagem e finalizar o abortamento. Muitas delas chegam aos hospitais já com infecção e risco de vida. Os estudos mostram que cerca de 200 mulheres morrem por ano pelas complicações de aborto inseguro. Acredito que filhos devem ser desejados e muitas vezes, por razões totalmente involuntárias, a gravidez acontece em horas não desejadas. Acredito que a descriminalizaçã o deve ser acompanhada de uma séria política de planejamento familiar, pois existe muita falta de informação nas mulheres de baixo poder aquisitivo.


Dica de TAÍS RANGEL
Militante de O ESTOPIM!
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