100 anos de lutas,conquistas com mobilização das mulheres do PT,para o dia Internacional da Mulher.
Venha e participe conosco da caminhada tão especial para todas as mulheres, que apesar dos avanços ainda temos muito a consquistar.
Não esqueça a bandeira e vista algo lilás!!
Serviço:
Dia: 8/03/2010
Local: Praça do Campo Grande
Horário: 8:00hs
Maiores informações Sec. Estadual de Mulheres do PT
mulheresdoptba13@gmail.com
tel: 87427630/99656194
Fonte: http://ptbahia.org.br/novo/conteudo.php?ID=1827
6 de março de 2010
3 de março de 2010
A Universidade começa a se movimentar.
Da Coordenação
Antes das eleições majoritárias que ditarão o rumo da vida da militância no país inteiro no próximo período, viveremos na Universidade Federal da Bahia algumas experiências atípicas. Uma delas é a eleição para reitor, que assim como presidente e governador, tem quatro longos anos de mandato.
O Reitor Naomar de Almeida filho, nome bastante cogitado para assumir o ministério da educação do governo Dilma, trata de acelerar algumas obras que ficaram em segundo plano durante quase oito anos de seu mandato. É visível, a Universidade virou um canteiro de obras e de canto a canto é possível ouvir o barulho das máquinas batendo nas coisas.
O nosso restaurante universitário, por sua vez, parece que, enfim, será inaugurado pela atual administração central. Tudo indica que, no máximo, até o mês de Maio o elefante amarelo estará atendendo os milhares de jovens dessa UfBa que tanto dele necessitam. Detalhe: Ninguém vai capitalizar uma merreca sequer do capital político da abertura do R.U., exceto a cúpula naomista, é claro.
A disputa pela sucessão à reitoria parece bastante indefinida ainda, tendo em vista o caos político deixado pela administração de Naomar e seus correligionários. Sem um sucessor (a) a altura, os naomistas terão muitas dificuldades em achar um nome de consenso para tocar a principal Universidade do país. Principal (?). Sim, afinal de contas estamos no centro dos acontecimentos das transformações educacionais no país.
É hora de fazer valer a nossa voz e entrarmos de vez no tabuleiro desse jogo de xadrez, ou então estaremos fadados a nos tornarmos eternos expectadores do que acontece. Não é isso que queremos.
Antes das eleições majoritárias que ditarão o rumo da vida da militância no país inteiro no próximo período, viveremos na Universidade Federal da Bahia algumas experiências atípicas. Uma delas é a eleição para reitor, que assim como presidente e governador, tem quatro longos anos de mandato.
O Reitor Naomar de Almeida filho, nome bastante cogitado para assumir o ministério da educação do governo Dilma, trata de acelerar algumas obras que ficaram em segundo plano durante quase oito anos de seu mandato. É visível, a Universidade virou um canteiro de obras e de canto a canto é possível ouvir o barulho das máquinas batendo nas coisas.
O nosso restaurante universitário, por sua vez, parece que, enfim, será inaugurado pela atual administração central. Tudo indica que, no máximo, até o mês de Maio o elefante amarelo estará atendendo os milhares de jovens dessa UfBa que tanto dele necessitam. Detalhe: Ninguém vai capitalizar uma merreca sequer do capital político da abertura do R.U., exceto a cúpula naomista, é claro.
A disputa pela sucessão à reitoria parece bastante indefinida ainda, tendo em vista o caos político deixado pela administração de Naomar e seus correligionários. Sem um sucessor (a) a altura, os naomistas terão muitas dificuldades em achar um nome de consenso para tocar a principal Universidade do país. Principal (?). Sim, afinal de contas estamos no centro dos acontecimentos das transformações educacionais no país.
É hora de fazer valer a nossa voz e entrarmos de vez no tabuleiro desse jogo de xadrez, ou então estaremos fadados a nos tornarmos eternos expectadores do que acontece. Não é isso que queremos.
METRÔ: ARAS ACREDITA QUE INVESTIGAÇÕES VÃO PARAR
De acordo com o procurador da República, Vladimir Aras, é muito provável que seja interrompida a continuidade das duas ações contra os integrantes das empresas envolvidas na construção do metrô de Salvador, uma cível por improbidade, e uma penal. “A tendência é essa”, previu. Conforme o processo, havia um consórcio oculto que tinha um objetivo de permitir “a participação dos proponentes Camargo Corrêa e Andrade Guttierrez, assim como Norberto Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão e da Constran na execução e faturamento das obras metroviárias em Salvador, independentemente de quem fosse o vencedor do certame”. Os denunciados são os executivos das construtoras Camargo Correa e Andrade Gutierrez, Casildo Quintino dos Santos Neto, Diego Beltran Savino, Giavincenzo Coppi, Juan Alfredo Kuster, Márcio Magalhães Duarte Pinto, Saulo Thadeu Vasconcelos Catão e Pietro Francesco Giavina Bianchi. As obras para o erguimento do sistema de transporte de massa foram iniciadas em 1999, com previsão de 11,9km de percurso entre as estações da Lapa e Pirajá. Onze anos depois, e com redução do trajeto pela metade – até o terminal da Rótula do Abacaxi – o metrô ainda não tem previsão para começar a operar. De acordo com o mais recente relatório divulgado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a construção já consumiu mais de R$ 500 milhões do governo federal, com indícios de superfaturamento de R$ 110 milhões.
Fonte: Bahia Notícias.
Fonte: Bahia Notícias.
Grande mídia organiza campanha contra candidatura de Dilma
Em seminário promovido pelo Instituto Millenium em SP, representantes dos principais veículos de comunicação do país afirmaram que o PT é um partido contrário à liberdade de expressão e à democracia. Eles acreditam que se Dilma for eleita o stalinismo será implantado no Brasil. “Então tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução dos meios de comunicação. Temos que ser ofensivos e agressivos, não adianta reclamar depois”, sentenciou Arnaldo Jabor.
Bia Barbosa
Se algum estudante ou profissional de comunicação desavisado pagou os R$ 500,00 que custavam a inscrição do 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, organizado pelo Instituto Millenium, acreditando que os debates no evento girariam em torno das reais ameaças a esses direitos fundamentais, pode ter se surpreendido com a verdadeira aula sobre como organizar uma campanha política que foi dada pelos representantes dos grandes veículos de comunicação nesta segunda-feira, em São Paulo.
Promovido por um instituto defensor de valores como a economia de mercado e o direito à propriedade, e que tem entre seus conselheiros nomes como João Roberto Marinho, Roberto Civita, Eurípedes Alcântara e Pedro Bial, o fórum contou com o apoio de entidades como a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), ANER (Associação Nacional de Editores de Revista), ANJ (Associação Nacional de Jornais) e Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade). E dedicou boa parte das suas discussões ao que os palestrantes consideram um risco para a democracia brasileira: a eleição de Dilma Rousseff.
A explicação foi inicialmente dada pelo sociólogo Demétrio Magnoli, que passou os últimos anos combatendo, nos noticiários e páginas dos grandes veículos, políticas de ação afirmativa como as cotas para negros nas universidades. Segundo ele, no início de sua história, o PT abrangia em sua composição uma diversidade maior de correntes, incluindo a presença de lideranças social-democratas. Hoje, para Magnoli, o partido é um aparato controlado por sindicalistas e castristas, que têm respondido a suas bases pela retomada e restauração de um programa político reminiscente dos antigos partidos comunistas.
“Ao longo das quatro candidaturas de Lula, o PT realizou uma mudança muito importante em relação à economia. Mas ao mesmo tempo em que o governo adota um programa econômico ortodoxo e princípios da economia de mercado, o PT dá marcha ré em todos os assuntos que se referem à democracia. Como contraponto à adesão à economia de mercado, retoma as antigas idéias de partido dirigente e de democracia burguesa, cruciais num ideário anti-democrático, e consolida um aparato partidário muito forte que reduz brutalmente a diversidade política no PT. E este movimento é reforçado hoje pelo cenário de emergência do chavismo e pela aliança entre Venezuela e Cuba”, acredita. “O PT se tornou o maior partido do Brasil como fruto da democracia, mas é ambivalente em relação a esta democracia. Ele celebra a Venezuela de Chávez, aplaude o regime castrista em seus documentos oficiais e congressos, e solta uma nota oficial em apoio ao fechamento da RCTV”, diz.
A RCTV é a emissora de TV venezuelana que não teve sua concessão em canal aberto renovada por descumprir as leis do país e articular o golpe de 2000 contra o presidente Hugo Chávez, cujo presidente foi convidado de honra do evento do Instituto Millenium. Hoje, a RCTV opera apenas no cabo e segue enfrentando o governo por se recusar a cumprir a legislação nacional. Por esta atitude, Marcel Granier é considerado pelos organizadores do Fórum um símbolo mundial da luta pela liberdade de expressão – um direito a que, acreditam, o PT também é contra.
“O PT é um partido contra a liberdade de expressão. Não há dúvidas em relação a isso. Mas no Brasil vivemos um debate democrático e o PT, por intermédio do cerceamento da liberdade de imprensa, propõe subverter a democracia pelos processos democráticos”, declarou o filósofo Denis Rosenfield. “A idéia de controle social da mídia é oficial nos programas do PT. O partido poderia ter se tornado social-democrata, mas decidiu que seu caminho seria de restauração stalinista. E não por acaso o centro desta restauração stalinista é o ataque verbal à liberdade de imprensa e expressão”, completou Magnoli.
O tal ataque
Para os pensadores da mídia de direita, o cerco à liberdade de expressão não é novidade no Brasil. E tal cerceamento não nasce da brutal concentração da propriedade dos meios de comunicação característica do Brasil, mas vem se manifestando há anos em iniciativas do governo Lula, em projetos com o da Ancinav, que pretendia criar uma agência de regulação do setor audiovisual, considerado “autoritário, burocratizante, concentracionista e estatizante” pelos palestrantes do Fórum, e do Conselho Federal de Jornalistas, que tinha como prerrogativa fiscalizar o exercício da profissão no país.
“Se o CFJ tivesse vingado, o governo deteria o controle absoluto de uma atividade cuja liberdade está garantida na Constituição Federal. O veneno antidemocrático era forte demais. Mas o governo não desiste. Tanto que em novembro, o Diretório Nacional do PT aprovou propostas para a Conferência Nacional de Comunicação defendendo mecanismos de controle público e sanções à imprensa”, avalia o articulista do Estadão e conhecido membro da Opus Dei, Carlos Alberto Di Franco.
“Tínhamos um partido que passou 20 anos fazendo guerra de valores, sabotando tentativas, atrapalhadas ou não, de estabilização, e que chegou em 2002 com chances de vencer as eleições. E todos os setores acreditaram que eles não queriam fazer o socialismo. Eles nos ofereceram estabilidade e por isso aceitamos tudo”, lamenta Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja, que faz questão de assumir que Fernando Henrique Cardoso está à sua esquerda e para quem o DEM não defende os verdadeiros valores de direita. “A guerra da democracia do lado de cá esta sendo perdida”, disse, num momento de desespero.
O deputado petista Antonio Palocci, convidado do evento, até tentou tranqüilizar os participantes, dizendo que não vê no horizonte nenhum risco à liberdade de expressão no Brasil e que o Presidente Lula respeita e defende a liberdade de imprensa. O ministro Hélio Costa, velho amigo e conhecido dos donos da mídia, também. “Durante os procedimentos que levaram à Conferência de Comunicação, o governo foi unânime ao dizer que em hipótese alguma aceitaria uma discussão sobre o controle social da mídia. Isso não será permitido discutir, do ponto de vista governamental, porque consideramos absolutamente intocável”, garantiu.
Mas não adiantou. Nesta análise criteriosa sobre o Partido dos Trabalhadores, houve quem teorizasse até sobre os malefícios da militância partidária. Roberto Romano, convidado para falar em uma mesa sobre Estado Democrático de Direito, foi categórico ao atacar a prática política e apresentar elementos para a teoria da conspiração que ali se construía, defendendo a necessidade de surgimento de um partido de direita no país para quebrar o monopólio progressivo da esquerda.
“O partido de militantes é um partido de corrosão de caráter. Você não tem mais, por exemplo, juiz ou jornalista; tem um militante que responde ao seu dirigente partidário (...) Há uma cultura da militância por baixo, que faz com que essas pessoas militem nos órgãos públicos. E a escolha do militante vai até a morte. (...) Você tem grupos políticos nas redações que se dão ao direito de fazer censura. Não é por acaso que o PT tem uma massa de pessoas que considera toda a imprensa burguesa como criminosa e mentirosa”, explica.
O “risco Dilma”
Convictos da imposição pelo presente governo de uma visão de mundo hegemônica e de um único conjunto de valores, que estaria lentamente sedimentando-se no país pelas ações do Presidente Lula, os debatedores do Fórum Democracia e Liberdade de Expressão apresentaram aos cerca de 180 presentes e aos internautas que acompanharam o evento pela rede mundial de computadores os riscos de uma eventual eleição de Dilma Rousseff. A análise é simples: ao contrário de Lula, que possui uma “autonomia bonapartista” em relação ao PT, a sustentação de Dilma depende fundamentalmente do Partido dos Trabalhadores. E isso, por si só, já representa um perigo para a democracia e a liberdade de expressão no Brasil.
“O que está na cabeça de quem pode assumir em definitivo o poder no país é um patrimonialismo de Estado. Lula, com seu temperamento conciliador, teve o mérito real de manter os bolcheviques e jacobinos fora do poder. Mas conheço a cabeça de comunistas, fui do PC, e isso não muda, é feito pedra. O perigo é que a cabeça deste novo patrimonialismo de estado acha que a sociedade não merece confiança. Se sentem realmente superiores a nós, donos de uma linha justa, com direito de dominar e corrigir a sociedade segundo seus direitos ideológicos”, afirma o cineasta e comentarista da Rede Globo, Arnaldo Jabor. “Minha preocupação é que se o próximo governo for da Dilma, será uma infiltração infinitas de formigas neste país. Quem vai mandar no país é o Zé Dirceu e o Vaccarezza. A questão é como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo”, alerta Jabor.
Para Denis Rosenfield, ao contrário de Lula, que ganhou as eleições fazendo um movimento para o centro do espectro político, Dilma e o PT radicalizaram o discurso por intermédio do debate de idéias em torno do Programa Nacional de Direitos Humanos 3, lançado pelo governo no final do ano passado. “Observamos no Brasil tendências cada vez maiores de cerceamento da liberdade de expressão. Além do CFJ e da Ancinav, tem a Conferência Nacional de Comunicação, o PNDH-3 e a Conferência de Cultura. Então o projeto é claro. Só não vê coerência quem não quer”, afirma. “Se muitas das intenções do PT não foram realizadas não foi por ausência de vontades, mas por ausência de condições, sobretudo porque a mídia é atuante”, admite.
Hora de reagir
E foi essa atuação consistente que o Instituto Millenium cobrou da imprensa brasileira. Sair da abstração literária e partir para o ataque.
“Se o Serra ganhasse, faríamos uma festa em termos das liberdades. Seria ruim para os fumantes, mas mudaria muito em relação à liberdade de expressão. Mas a perspectiva é que a Dilma vença”, alertou Demétrio Magnoli.
“Então o perigo maior que nos ronda é ficar abstratos enquanto os outros são objetivos e obstinados, furando nossa resistência. A classe, o grupo e as pessoas ligadas à imprensa têm que ter uma atitude ofensiva e não defensiva. Temos que combater os indícios, que estão todos aí. O mundo hoje é de muita liberdade de expressão, inclusive tecnológica, e isso provoca revolta nos velhos esquerdistas. Por isso tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução. Senão isso se esvai. Nossa atitude tem que ser agressiva”, disse Jabor, convocando os presentes para a guerra ideológica.
“Na hora em que a imprensa decidir e passar a defender os valores que são da democracia, da economia de mercado e do individualismo, e que não se vai dar trela para quem quer a solapar, começaremos a mudar uma certa cultura”, prevê Reinaldo Azevedo.
Um último conselho foi dado aos veículos de imprensa: assumam publicamente a candidatura que vão apoiar. Espera-se que ao menos esta recomendação seja seguida, para que a posição da grande mídia não seja conhecida apenas por aqueles que puderam pagar R$ 500,00 pela oficina de campanha eleitoral dada nesta segunda-feira
Fonte: Agência Carta Maior
Bia Barbosa
Se algum estudante ou profissional de comunicação desavisado pagou os R$ 500,00 que custavam a inscrição do 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, organizado pelo Instituto Millenium, acreditando que os debates no evento girariam em torno das reais ameaças a esses direitos fundamentais, pode ter se surpreendido com a verdadeira aula sobre como organizar uma campanha política que foi dada pelos representantes dos grandes veículos de comunicação nesta segunda-feira, em São Paulo.
Promovido por um instituto defensor de valores como a economia de mercado e o direito à propriedade, e que tem entre seus conselheiros nomes como João Roberto Marinho, Roberto Civita, Eurípedes Alcântara e Pedro Bial, o fórum contou com o apoio de entidades como a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), ANER (Associação Nacional de Editores de Revista), ANJ (Associação Nacional de Jornais) e Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade). E dedicou boa parte das suas discussões ao que os palestrantes consideram um risco para a democracia brasileira: a eleição de Dilma Rousseff.
A explicação foi inicialmente dada pelo sociólogo Demétrio Magnoli, que passou os últimos anos combatendo, nos noticiários e páginas dos grandes veículos, políticas de ação afirmativa como as cotas para negros nas universidades. Segundo ele, no início de sua história, o PT abrangia em sua composição uma diversidade maior de correntes, incluindo a presença de lideranças social-democratas. Hoje, para Magnoli, o partido é um aparato controlado por sindicalistas e castristas, que têm respondido a suas bases pela retomada e restauração de um programa político reminiscente dos antigos partidos comunistas.
“Ao longo das quatro candidaturas de Lula, o PT realizou uma mudança muito importante em relação à economia. Mas ao mesmo tempo em que o governo adota um programa econômico ortodoxo e princípios da economia de mercado, o PT dá marcha ré em todos os assuntos que se referem à democracia. Como contraponto à adesão à economia de mercado, retoma as antigas idéias de partido dirigente e de democracia burguesa, cruciais num ideário anti-democrático, e consolida um aparato partidário muito forte que reduz brutalmente a diversidade política no PT. E este movimento é reforçado hoje pelo cenário de emergência do chavismo e pela aliança entre Venezuela e Cuba”, acredita. “O PT se tornou o maior partido do Brasil como fruto da democracia, mas é ambivalente em relação a esta democracia. Ele celebra a Venezuela de Chávez, aplaude o regime castrista em seus documentos oficiais e congressos, e solta uma nota oficial em apoio ao fechamento da RCTV”, diz.
A RCTV é a emissora de TV venezuelana que não teve sua concessão em canal aberto renovada por descumprir as leis do país e articular o golpe de 2000 contra o presidente Hugo Chávez, cujo presidente foi convidado de honra do evento do Instituto Millenium. Hoje, a RCTV opera apenas no cabo e segue enfrentando o governo por se recusar a cumprir a legislação nacional. Por esta atitude, Marcel Granier é considerado pelos organizadores do Fórum um símbolo mundial da luta pela liberdade de expressão – um direito a que, acreditam, o PT também é contra.
“O PT é um partido contra a liberdade de expressão. Não há dúvidas em relação a isso. Mas no Brasil vivemos um debate democrático e o PT, por intermédio do cerceamento da liberdade de imprensa, propõe subverter a democracia pelos processos democráticos”, declarou o filósofo Denis Rosenfield. “A idéia de controle social da mídia é oficial nos programas do PT. O partido poderia ter se tornado social-democrata, mas decidiu que seu caminho seria de restauração stalinista. E não por acaso o centro desta restauração stalinista é o ataque verbal à liberdade de imprensa e expressão”, completou Magnoli.
O tal ataque
Para os pensadores da mídia de direita, o cerco à liberdade de expressão não é novidade no Brasil. E tal cerceamento não nasce da brutal concentração da propriedade dos meios de comunicação característica do Brasil, mas vem se manifestando há anos em iniciativas do governo Lula, em projetos com o da Ancinav, que pretendia criar uma agência de regulação do setor audiovisual, considerado “autoritário, burocratizante, concentracionista e estatizante” pelos palestrantes do Fórum, e do Conselho Federal de Jornalistas, que tinha como prerrogativa fiscalizar o exercício da profissão no país.
“Se o CFJ tivesse vingado, o governo deteria o controle absoluto de uma atividade cuja liberdade está garantida na Constituição Federal. O veneno antidemocrático era forte demais. Mas o governo não desiste. Tanto que em novembro, o Diretório Nacional do PT aprovou propostas para a Conferência Nacional de Comunicação defendendo mecanismos de controle público e sanções à imprensa”, avalia o articulista do Estadão e conhecido membro da Opus Dei, Carlos Alberto Di Franco.
“Tínhamos um partido que passou 20 anos fazendo guerra de valores, sabotando tentativas, atrapalhadas ou não, de estabilização, e que chegou em 2002 com chances de vencer as eleições. E todos os setores acreditaram que eles não queriam fazer o socialismo. Eles nos ofereceram estabilidade e por isso aceitamos tudo”, lamenta Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja, que faz questão de assumir que Fernando Henrique Cardoso está à sua esquerda e para quem o DEM não defende os verdadeiros valores de direita. “A guerra da democracia do lado de cá esta sendo perdida”, disse, num momento de desespero.
O deputado petista Antonio Palocci, convidado do evento, até tentou tranqüilizar os participantes, dizendo que não vê no horizonte nenhum risco à liberdade de expressão no Brasil e que o Presidente Lula respeita e defende a liberdade de imprensa. O ministro Hélio Costa, velho amigo e conhecido dos donos da mídia, também. “Durante os procedimentos que levaram à Conferência de Comunicação, o governo foi unânime ao dizer que em hipótese alguma aceitaria uma discussão sobre o controle social da mídia. Isso não será permitido discutir, do ponto de vista governamental, porque consideramos absolutamente intocável”, garantiu.
Mas não adiantou. Nesta análise criteriosa sobre o Partido dos Trabalhadores, houve quem teorizasse até sobre os malefícios da militância partidária. Roberto Romano, convidado para falar em uma mesa sobre Estado Democrático de Direito, foi categórico ao atacar a prática política e apresentar elementos para a teoria da conspiração que ali se construía, defendendo a necessidade de surgimento de um partido de direita no país para quebrar o monopólio progressivo da esquerda.
“O partido de militantes é um partido de corrosão de caráter. Você não tem mais, por exemplo, juiz ou jornalista; tem um militante que responde ao seu dirigente partidário (...) Há uma cultura da militância por baixo, que faz com que essas pessoas militem nos órgãos públicos. E a escolha do militante vai até a morte. (...) Você tem grupos políticos nas redações que se dão ao direito de fazer censura. Não é por acaso que o PT tem uma massa de pessoas que considera toda a imprensa burguesa como criminosa e mentirosa”, explica.
O “risco Dilma”
Convictos da imposição pelo presente governo de uma visão de mundo hegemônica e de um único conjunto de valores, que estaria lentamente sedimentando-se no país pelas ações do Presidente Lula, os debatedores do Fórum Democracia e Liberdade de Expressão apresentaram aos cerca de 180 presentes e aos internautas que acompanharam o evento pela rede mundial de computadores os riscos de uma eventual eleição de Dilma Rousseff. A análise é simples: ao contrário de Lula, que possui uma “autonomia bonapartista” em relação ao PT, a sustentação de Dilma depende fundamentalmente do Partido dos Trabalhadores. E isso, por si só, já representa um perigo para a democracia e a liberdade de expressão no Brasil.
“O que está na cabeça de quem pode assumir em definitivo o poder no país é um patrimonialismo de Estado. Lula, com seu temperamento conciliador, teve o mérito real de manter os bolcheviques e jacobinos fora do poder. Mas conheço a cabeça de comunistas, fui do PC, e isso não muda, é feito pedra. O perigo é que a cabeça deste novo patrimonialismo de estado acha que a sociedade não merece confiança. Se sentem realmente superiores a nós, donos de uma linha justa, com direito de dominar e corrigir a sociedade segundo seus direitos ideológicos”, afirma o cineasta e comentarista da Rede Globo, Arnaldo Jabor. “Minha preocupação é que se o próximo governo for da Dilma, será uma infiltração infinitas de formigas neste país. Quem vai mandar no país é o Zé Dirceu e o Vaccarezza. A questão é como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo”, alerta Jabor.
Para Denis Rosenfield, ao contrário de Lula, que ganhou as eleições fazendo um movimento para o centro do espectro político, Dilma e o PT radicalizaram o discurso por intermédio do debate de idéias em torno do Programa Nacional de Direitos Humanos 3, lançado pelo governo no final do ano passado. “Observamos no Brasil tendências cada vez maiores de cerceamento da liberdade de expressão. Além do CFJ e da Ancinav, tem a Conferência Nacional de Comunicação, o PNDH-3 e a Conferência de Cultura. Então o projeto é claro. Só não vê coerência quem não quer”, afirma. “Se muitas das intenções do PT não foram realizadas não foi por ausência de vontades, mas por ausência de condições, sobretudo porque a mídia é atuante”, admite.
Hora de reagir
E foi essa atuação consistente que o Instituto Millenium cobrou da imprensa brasileira. Sair da abstração literária e partir para o ataque.
“Se o Serra ganhasse, faríamos uma festa em termos das liberdades. Seria ruim para os fumantes, mas mudaria muito em relação à liberdade de expressão. Mas a perspectiva é que a Dilma vença”, alertou Demétrio Magnoli.
“Então o perigo maior que nos ronda é ficar abstratos enquanto os outros são objetivos e obstinados, furando nossa resistência. A classe, o grupo e as pessoas ligadas à imprensa têm que ter uma atitude ofensiva e não defensiva. Temos que combater os indícios, que estão todos aí. O mundo hoje é de muita liberdade de expressão, inclusive tecnológica, e isso provoca revolta nos velhos esquerdistas. Por isso tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução. Senão isso se esvai. Nossa atitude tem que ser agressiva”, disse Jabor, convocando os presentes para a guerra ideológica.
“Na hora em que a imprensa decidir e passar a defender os valores que são da democracia, da economia de mercado e do individualismo, e que não se vai dar trela para quem quer a solapar, começaremos a mudar uma certa cultura”, prevê Reinaldo Azevedo.
Um último conselho foi dado aos veículos de imprensa: assumam publicamente a candidatura que vão apoiar. Espera-se que ao menos esta recomendação seja seguida, para que a posição da grande mídia não seja conhecida apenas por aqueles que puderam pagar R$ 500,00 pela oficina de campanha eleitoral dada nesta segunda-feira
Fonte: Agência Carta Maior
2 de março de 2010
Toda solidariedade ao povo chileno
Da coordenação
Pouco mais de um mês depois da catástrofe ocorrida no Haiti que deixou milhares de mortos por todo país caribenho, agora, o Chile é acometido por mais um desastre natural. A cidade mais afetada pelo terremoto foi Concepcion, que localiza-se a cerca de 300 Km da capital Santiago.
O clima de consternação e caos instalado nas regiões afetadas tem gerado uma sensação de instabilidade no país. Centenas de saques foram registrados por uma população faminta, que necessita de remédios e outros bens básicos para a manutenção, com um mínimo de dignidade das suas vidas.
O governo brasileiro por sua vez, como principal potência da região deve assumir o compromisso e a responsabilidade de ajuda humanitária ao povo chileno. Lula se mostrou preocupado com a situação do vizinho e declarou no seu programa diário café com presidente: “Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para sermos solidários ao Chile, como estamos sendo solidários ao Haiti”. Esperamos que as dificuldades encontradas no mês passado com relação à ajuda humanitária ao povo haitiano sejam menores.
Da parte do nosso coletivo, somos inteiramente solidários ao povo chileno, desejando-lhe a mais rápida recuperação moral e política causada pelos últimos acontecimentos. Dessa forma prestamos total e irrestrito apoio aos homens e mulheres que hoje se encontram em desespero e incerteza. A recuperação do Chile será lenta e gradual, mas em breve deve se consubstancializar fazendo este país retomar o seu papel estratégico na geopolítica da nossa região.
Pouco mais de um mês depois da catástrofe ocorrida no Haiti que deixou milhares de mortos por todo país caribenho, agora, o Chile é acometido por mais um desastre natural. A cidade mais afetada pelo terremoto foi Concepcion, que localiza-se a cerca de 300 Km da capital Santiago.
O clima de consternação e caos instalado nas regiões afetadas tem gerado uma sensação de instabilidade no país. Centenas de saques foram registrados por uma população faminta, que necessita de remédios e outros bens básicos para a manutenção, com um mínimo de dignidade das suas vidas.
O governo brasileiro por sua vez, como principal potência da região deve assumir o compromisso e a responsabilidade de ajuda humanitária ao povo chileno. Lula se mostrou preocupado com a situação do vizinho e declarou no seu programa diário café com presidente: “Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para sermos solidários ao Chile, como estamos sendo solidários ao Haiti”. Esperamos que as dificuldades encontradas no mês passado com relação à ajuda humanitária ao povo haitiano sejam menores.
Da parte do nosso coletivo, somos inteiramente solidários ao povo chileno, desejando-lhe a mais rápida recuperação moral e política causada pelos últimos acontecimentos. Dessa forma prestamos total e irrestrito apoio aos homens e mulheres que hoje se encontram em desespero e incerteza. A recuperação do Chile será lenta e gradual, mas em breve deve se consubstancializar fazendo este país retomar o seu papel estratégico na geopolítica da nossa região.
Copa do mundo. Estamos de olho.
Da coordenação
A vitória da candidatura brasileira para sediar a copa de 2014 abriu diversas perspectivas de negócios para o empresariado nacional e internacional. A construção de arenas esportivas, a moda européia, enche os olhos das grandes empreiteiras que tendem a se estapear pela concessão das construções.
Para ilustrar essa discussão, temos o caso de da Cidade de São Paulo, cogitada para receber o jogo de abertura da copa do mundo. Segundo os membros da comissão da FIFA, a cidade não tem um estádio adequado para receber um jogo de tal porte. O Morumbi, Cícero Pompeu de Toledo, um recinto de nível mundial, tem sido constantemente criticado pelos responsáveis da entidade máxima do futebol mundial no intuito de inviabilizá-lo para a copa. É no mínimo absurdo crer que a cidade não tem um estádio à altura. Não da para levar isso a sério.
A intenção da CBF, em conluio com a FIFA é, exclusivamente desacreditar os estádios já existentes na intenção de construir outras arenas esportivas e ganhar muita grana em parceria com as empreiteiras e construtoras. “Nunca na história desse país” uma entidade esportiva barganhou tanto.
Uma copa do mundo no Brasil não poderia ter caído melhor para as empreiteiras. Uma coisa é certa, alguns poucos vão faturar milhões e milhões de verdinhas com a construção das arenas. Se a copa realmente trará benefícios em termos de infra-estrutura para as cidades-sede essa parece ser uma questão menos importante para os nossos dirigentes.
De olho neles.
A vitória da candidatura brasileira para sediar a copa de 2014 abriu diversas perspectivas de negócios para o empresariado nacional e internacional. A construção de arenas esportivas, a moda européia, enche os olhos das grandes empreiteiras que tendem a se estapear pela concessão das construções.
Para ilustrar essa discussão, temos o caso de da Cidade de São Paulo, cogitada para receber o jogo de abertura da copa do mundo. Segundo os membros da comissão da FIFA, a cidade não tem um estádio adequado para receber um jogo de tal porte. O Morumbi, Cícero Pompeu de Toledo, um recinto de nível mundial, tem sido constantemente criticado pelos responsáveis da entidade máxima do futebol mundial no intuito de inviabilizá-lo para a copa. É no mínimo absurdo crer que a cidade não tem um estádio à altura. Não da para levar isso a sério.
A intenção da CBF, em conluio com a FIFA é, exclusivamente desacreditar os estádios já existentes na intenção de construir outras arenas esportivas e ganhar muita grana em parceria com as empreiteiras e construtoras. “Nunca na história desse país” uma entidade esportiva barganhou tanto.
Uma copa do mundo no Brasil não poderia ter caído melhor para as empreiteiras. Uma coisa é certa, alguns poucos vão faturar milhões e milhões de verdinhas com a construção das arenas. Se a copa realmente trará benefícios em termos de infra-estrutura para as cidades-sede essa parece ser uma questão menos importante para os nossos dirigentes.
De olho neles.
A aflição grega
A tragédia grega termina de uma forma ou de outra, no contribuinte alemão. No futuro próximo deveremos enfrentar o de certa forma peculiar sistema previdenciário grego, para não falar do italiano. O problema é não só a acumulação de dívida dos estados membros, mas uma desigualdade econômica crescente entre eles. A União Européia não pode abandonar a Grécia aos tubarões do mercado financeiro, nem tampouco, a Espanha, Portugal, Irlanda ou Itália. Tampouco expulsá-los. Ou seja, está condenada à solidariedade. A análise é de Michael Krätke
Michael Krätke
A União Européia é uma potência econômica mundial que se comporta como se não o fosse, algo que, mais do que uma necessidade, é um erro. Porque a comunidade de estados da Zona do Euro não pode se permitir abandonar a Grécia aos tubarões dos mercados financeiros, nem tampouco a Espanha, Portugal, Irlanda ou Itália (os chamados países PIIGS). É igualmente impossível expulsar um ou todos eles da união monetária. A UE não pode pois outra coisa que defendê-las: está condenada à solidariedade. Tanto faz de que forma se organize a ajuda financeira a Atenas; quando ela chegar, o Tratado de Maastricht estará praticamente condenado à morte. Pêsames estão proibidos.
Os países da zona do euro já não seguem mais à margem, à medida que terão de defender a moeda comum contra a especulação internacional. Quando o Euro foi introduzido em 1999, estabeleceram-se três dogmas incontestáveis, a saber: a política fiscal é ineficiente, a inflação virá motivada através das reservas monetárias e os mercados, quando o permitam, corrigirão os desequilíbrios de maneira automática.
Os governos de todo o mundo retomaram a política fiscal com a crise econômica que eclodiu em 2008. Para ocultar a queda dos mercados financeiros os submergiram em dinheiro barato, embora a inflação não tenha cessado. Em consequência, no terceiro ano da crise, tampouco há algo de novo a ser contado. Refutar os dogmas não implica ter certeza quanto a uma resposta à pergunta sobre como deveria ter sido no futuro a zona do euro e, em geral, a União Européia. Seguirá ela se movendo no compasso dos mercados financeiros, que tanto lhe está agradecendo pelo seu modo de resgatá-los da crise financeira mundial que eles mesmos causaram? Os europeus querem ser algo mais que um mercado de bens e capitais com mais liberdade de movimento para os cidadãos europeus?
O que quer o superestado europeu?
Em termos econômicos, a União Européia é o espaço geográfico mais fortemente integrado do mundo. Mais de 60% das exportações alemãs terminam em países vizinhos, cuja dependência do comércio exterior da própria União Européia se pode apenas diferenciar. Apesar disso, os países da zona do euro se comportam como se pudessem seguir desenvolvendo uma política econômica, financeira e social exclusivamente nacional. Uma ilusão, um dogma, tome-se como se quiser. Não é necessário tirar do armário o fantasma de um superestado europeu para poder conceber um federalismo em escala européia que seguisse o modelos dos EUA.
De maneira alguma a União Européia pode seguir agindo como se não fosse mais que um conglomerado de economias nacionais. Todos os indícios apontam que, caso se conseguisse esvaziar o nacionalismo das cabeças de seus países-membros, a União dos 27 seria vista como aquilo que já é. É por isso que, em primeiro lugar, necessita-se de uma reordenação das finanças da União Européia. Também se necessita de um orçamento europeu maior e de um Banco Central Europeu (BCE) que não seja apequenado pelo dono do Bundersbank alemão. Trata-se de obter um instituto da política econômica européia, em vez de esconder-se sob o biombo de dogmas monetaristas. Existem as condições para a criação de um Escritório europeu único de supervisão financeira e para uma legislação única para bancos e bolsas. A City de Londres, com certeza vai se queixar e gritar. O medo de uma regulação européia é em última instância a razão para que uma libra esterlina convalescente deixe de vagar perante as portas do museu da história da moeda. E existem, acima de tudo, as condições para o fim da loucura das competências em matéria de impostos a que cada país – também a rica República federal alemã – almeja, um idílio impositivo cujo objetivo é cortejar a graça da grande banca financeira internacional.
Quem salva o Estado?
No discurso dos políticos alemães prevalece a idéia de manter o contribuinte longe do perigo. De outra maneira iria se dar conta da política que, com bilhões procedentes dos impostos, salvou banco após banco – e com isso também a suas entidades irmãs no exterior. A tragédia grega termina de uma forma ou de outra, no contribuinte alemão. Nesta ocasião, não são senão os bancos alemães que se encontram na fila do despenhadeiro, já que seguradoras como a Allianz puseram somas consideráveis em empréstimos governamentais aos países do PIIGS, que perdem seu valor rapidamente. Enquanto isso, as altas finanças internacionais se beneficiaram esplendidamente de tudo, tendo na sua liderança os bancos de investimento de Wall Street e da City de Londres, às custas da miséria financeira de vários membros da UE (só o Goldman Sachs, ao menos 300 milhões de dólares).
Dever-se ia intervir tenaz e duramente nos “assuntos internos” dos Estados da UE. Daí a sensação de uma união econômica que capitula ante a lógica da união monetária. No futuro próximo deveremos enfrentar o de certa forma peculiar sistema previdenciário grego, para não falar do italiano. Teremos de nos perguntar se cada um de nossos sócios europeus pode se permitir o luxo de formar seus exércitos nacionais com latino-americanos. A proliferação de pequenos estados na grande Europa também aparece como contratempo e obstáculos a esses planos. A política comum de empréstimos do BCE pertence à união monetária, inclusive como política comum européia, que a Comissão européia deveria cuidar. Hoje, ambas estão em falta.
O problema é, contudo, não só a acumulação de dívida dos estados membros – os EUA e o Reino Unido têm cotas de déficit mais altas (ao redor de 13%) que Grécia, Portugal ou Itália -, mas uma desigualdade econômica crescente entre eles. Não deveria tolerar-se a existência de lugares pobres, tampouco na Alemanha, país que se permite ter a capital da Europa, com a maior população vivendo na pobreza. Para se enfrentar essas desigualdades será necessária uma equiparação das finanças européias e também uma redução da autoridade impositiva dos estados nacionais.
Acabamos de descobrir o estado como salvador do capitalismo em dificuldades. Falou-se de um renascimento do estado: um exagero delicioso, já que o estado nunca desapareceu. Agora, poucos meses depois, paira no ar uma pergunta: quem salvará o estado de sua crise financeira particular? Os bancos não farão nada, e os mercados financeiros vão à caça da oportunidade do século para depenar os estados mais ricos do mundo. Os estados só podem se salvar por si mesmos, ou serem salvos por outros estados. A zona do euro oferece, como nenhum outro lugar, as condições para isso. E se essas não estiverem dadas de pronto, deveriam então forjá-las e constituir a União Européia como uma comunidade que se liberou do jogo financeiro e ideológico dos mercados financeiros.
Michael R. Krätke é membro do Conselho Editorial de SinPermiso, é professor de política econômica e direito tributário na Universidade de Amsterdã, pesquisador associado ao Instituto Internacional de História Social dessa mesma cidade e catedrático de economia política e diretor do Instituto de Estudos Superiores da Universidade de Lancaster, no Reino Unido.
Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: Agencia carta maior.
Michael Krätke
A União Européia é uma potência econômica mundial que se comporta como se não o fosse, algo que, mais do que uma necessidade, é um erro. Porque a comunidade de estados da Zona do Euro não pode se permitir abandonar a Grécia aos tubarões dos mercados financeiros, nem tampouco a Espanha, Portugal, Irlanda ou Itália (os chamados países PIIGS). É igualmente impossível expulsar um ou todos eles da união monetária. A UE não pode pois outra coisa que defendê-las: está condenada à solidariedade. Tanto faz de que forma se organize a ajuda financeira a Atenas; quando ela chegar, o Tratado de Maastricht estará praticamente condenado à morte. Pêsames estão proibidos.
Os países da zona do euro já não seguem mais à margem, à medida que terão de defender a moeda comum contra a especulação internacional. Quando o Euro foi introduzido em 1999, estabeleceram-se três dogmas incontestáveis, a saber: a política fiscal é ineficiente, a inflação virá motivada através das reservas monetárias e os mercados, quando o permitam, corrigirão os desequilíbrios de maneira automática.
Os governos de todo o mundo retomaram a política fiscal com a crise econômica que eclodiu em 2008. Para ocultar a queda dos mercados financeiros os submergiram em dinheiro barato, embora a inflação não tenha cessado. Em consequência, no terceiro ano da crise, tampouco há algo de novo a ser contado. Refutar os dogmas não implica ter certeza quanto a uma resposta à pergunta sobre como deveria ter sido no futuro a zona do euro e, em geral, a União Européia. Seguirá ela se movendo no compasso dos mercados financeiros, que tanto lhe está agradecendo pelo seu modo de resgatá-los da crise financeira mundial que eles mesmos causaram? Os europeus querem ser algo mais que um mercado de bens e capitais com mais liberdade de movimento para os cidadãos europeus?
O que quer o superestado europeu?
Em termos econômicos, a União Européia é o espaço geográfico mais fortemente integrado do mundo. Mais de 60% das exportações alemãs terminam em países vizinhos, cuja dependência do comércio exterior da própria União Européia se pode apenas diferenciar. Apesar disso, os países da zona do euro se comportam como se pudessem seguir desenvolvendo uma política econômica, financeira e social exclusivamente nacional. Uma ilusão, um dogma, tome-se como se quiser. Não é necessário tirar do armário o fantasma de um superestado europeu para poder conceber um federalismo em escala européia que seguisse o modelos dos EUA.
De maneira alguma a União Européia pode seguir agindo como se não fosse mais que um conglomerado de economias nacionais. Todos os indícios apontam que, caso se conseguisse esvaziar o nacionalismo das cabeças de seus países-membros, a União dos 27 seria vista como aquilo que já é. É por isso que, em primeiro lugar, necessita-se de uma reordenação das finanças da União Européia. Também se necessita de um orçamento europeu maior e de um Banco Central Europeu (BCE) que não seja apequenado pelo dono do Bundersbank alemão. Trata-se de obter um instituto da política econômica européia, em vez de esconder-se sob o biombo de dogmas monetaristas. Existem as condições para a criação de um Escritório europeu único de supervisão financeira e para uma legislação única para bancos e bolsas. A City de Londres, com certeza vai se queixar e gritar. O medo de uma regulação européia é em última instância a razão para que uma libra esterlina convalescente deixe de vagar perante as portas do museu da história da moeda. E existem, acima de tudo, as condições para o fim da loucura das competências em matéria de impostos a que cada país – também a rica República federal alemã – almeja, um idílio impositivo cujo objetivo é cortejar a graça da grande banca financeira internacional.
Quem salva o Estado?
No discurso dos políticos alemães prevalece a idéia de manter o contribuinte longe do perigo. De outra maneira iria se dar conta da política que, com bilhões procedentes dos impostos, salvou banco após banco – e com isso também a suas entidades irmãs no exterior. A tragédia grega termina de uma forma ou de outra, no contribuinte alemão. Nesta ocasião, não são senão os bancos alemães que se encontram na fila do despenhadeiro, já que seguradoras como a Allianz puseram somas consideráveis em empréstimos governamentais aos países do PIIGS, que perdem seu valor rapidamente. Enquanto isso, as altas finanças internacionais se beneficiaram esplendidamente de tudo, tendo na sua liderança os bancos de investimento de Wall Street e da City de Londres, às custas da miséria financeira de vários membros da UE (só o Goldman Sachs, ao menos 300 milhões de dólares).
Dever-se ia intervir tenaz e duramente nos “assuntos internos” dos Estados da UE. Daí a sensação de uma união econômica que capitula ante a lógica da união monetária. No futuro próximo deveremos enfrentar o de certa forma peculiar sistema previdenciário grego, para não falar do italiano. Teremos de nos perguntar se cada um de nossos sócios europeus pode se permitir o luxo de formar seus exércitos nacionais com latino-americanos. A proliferação de pequenos estados na grande Europa também aparece como contratempo e obstáculos a esses planos. A política comum de empréstimos do BCE pertence à união monetária, inclusive como política comum européia, que a Comissão européia deveria cuidar. Hoje, ambas estão em falta.
O problema é, contudo, não só a acumulação de dívida dos estados membros – os EUA e o Reino Unido têm cotas de déficit mais altas (ao redor de 13%) que Grécia, Portugal ou Itália -, mas uma desigualdade econômica crescente entre eles. Não deveria tolerar-se a existência de lugares pobres, tampouco na Alemanha, país que se permite ter a capital da Europa, com a maior população vivendo na pobreza. Para se enfrentar essas desigualdades será necessária uma equiparação das finanças européias e também uma redução da autoridade impositiva dos estados nacionais.
Acabamos de descobrir o estado como salvador do capitalismo em dificuldades. Falou-se de um renascimento do estado: um exagero delicioso, já que o estado nunca desapareceu. Agora, poucos meses depois, paira no ar uma pergunta: quem salvará o estado de sua crise financeira particular? Os bancos não farão nada, e os mercados financeiros vão à caça da oportunidade do século para depenar os estados mais ricos do mundo. Os estados só podem se salvar por si mesmos, ou serem salvos por outros estados. A zona do euro oferece, como nenhum outro lugar, as condições para isso. E se essas não estiverem dadas de pronto, deveriam então forjá-las e constituir a União Européia como uma comunidade que se liberou do jogo financeiro e ideológico dos mercados financeiros.
Michael R. Krätke é membro do Conselho Editorial de SinPermiso, é professor de política econômica e direito tributário na Universidade de Amsterdã, pesquisador associado ao Instituto Internacional de História Social dessa mesma cidade e catedrático de economia política e diretor do Instituto de Estudos Superiores da Universidade de Lancaster, no Reino Unido.
Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: Agencia carta maior.
1 de março de 2010
O sistema de cotas entrará em outro patamar de disputa.
Da Coordenação
Para além das argumentações estáticas tanto de quem defende o programa de cotas para estudantes carentes, afro descendentes etc., como para quem é contrário a qualquer tipo de medida afirmativa, seja pela inconstitucionalidade ou pelo caráter da Universidade etc.,o fato é que o debate se transformou nessa meia década e os seus atores não conseguiram acompanhar essas mudanças.
Após cinco anos de programa de ações afirmativas o que se pode observar é que toda a argumentação conservadora não se confirmou, como a baixa na qualidade do ensino, o que nos faz crer que existe um abismo entre o foco do ensino médio e o ensino superior. Os valores são completamente diferentes até o ingresso do individuo no ensino superior, que, não incomum, sente o choque de toda aquela cobrança conteudista, adestradora e desfocada de uma função prática com o mundo que o cerca. Isso não quer dizer que as Universidades estejam as mil maravilhas, muito ao contrário, mas indica que o processo educativo em seus diferentes níveis não contempla um conceito didático/pedagógico bem definido e não são as cotas que não se encaixam com o modelo de Universidade.
Mas o que é central nessa discussão é a forma de abordagem e apropriação do sistema de cotas nas Universidades. O movimento negro de um lado se apropriou do tema como uma defesa vital e princinpiológica onde todo o seu debate foca-se na defesa da medida. Os setores conservadores tentam se basear em uma argumentação jurídica que não consegue se sustentar tendo em vista as peculiaridades da nação. O movimento estudantil por sua vez, enxerga no debate uma possibilidade de mobilizar em torno de si e potencializá-lo nas suas perspectivas. O resultado disso é imprevisível tendo em vista que cada vez menos as argumentações se aprofundam. Por conseguinte o debate é muito mal qualificado gerando uma enorme confusão entre os diferentes setores dos movimentos sociais.
Para a parcela, minoritária diga-se de passagem, do movimento estudantil que ainda insiste em uma argumentação, no mínimo antiquada, de que as cotas “divide” é necessário reavaliar a situação e qualificar o debate. A estes um Alerta: O sistema de cotas não está por ser implementado, ele já existe há cinco anos. Para o movimento negro é necessário ampliar a discussão e explicá-lo de que as cotas não são um fim em si mesmo, pois o caráter do sistema sempre foi paliativo e re-parador. Nesse sentido, nos colocamos ao lado dos setores progressistas da Universidade na defesa das cotas contra os setores conservadores que pretendem destruí-lo e negar o acesso da população historicamente excluída do ensino superior. Em contrapartida é necessário avançar a discussão acerca da função da Universidade pública apresentando-a como um fator em meio à luta de classes, e que esta cumpre um determinado papel na transformação social.
O modelo de Universidade existente é excludente e é ilusão querer fazer crer que as Universidades serão universalizadas dentro do sistema da propriedade privada. Em nenhuma nação capitalista ela é plena, pois o seu modelo de construção é determinado para formar uma determinada classe de indivíduos. Erram aqueles que dissolvem a discussão da Universidade pública em uma palavra de ordem quase sempre estéril que a famosa “luta de classes”. Por isso é importante compreender o momento histórico em que a Universidade esta inserida, colocando os debates centrais na ordem do dia no intuito de potencializar a luta dos setores historicamente excluídos da Universidade, fazendo avançar a compreensão do conjunto do movimento. Qualquer coisa fora disso é charlatanismo, divisionismo e brincar de fazer movimento (no mais complacente dos casos).
O capítulo mais recente vem da ala conservadora da sociedade brasileira e seu instrumento político parlamentar, o DEM. Este partido ingressou no STJD com uma ação que questiona a legitimidade constitucional das cotas. Não é de se estranhar, as vésperas de completar o período de experimentação, o sistema de cotas passará por um outro debate que irá avaliar se o que foi objetivado foi cumprido ou não. De certo que as cotas cumpriram um pontual papel na inserção de setores pobres da sociedade a Universidade e os números colocam qualquer contra-argumentação na defensiva, mas será necessário reorganizar taticamente as discussões no intuito de dar novas respostas para as novas questões
Em contrapartida, o ANDES-SN, se posiciona congressualmente favorável ao sistema de cotas retomando a sua tradição de lutas há muito enterrada pelas fissuras internas causadas pela divisão dos setores de extrema esquerda e da burocracia. Leia aqui a resolução do ANDES-SN: http://www.andes.org.br/imprensa/ultimas/contatoview.asp?key=6353
Nós do Coletivo Marxista O Estopim! nos colocamos ao lado dos estudantes cotistas e dos setores historicamente excluídos da nossa sociedade na defesa das medidas que visam garantir-lhes o acesso a educação superior pública e de qualidade. Entendemos que a discussão deve ser priorizada no movimento estudantil, rechaçando os argumentos despolitizados daqueles que desconhecem o real significado de uma medida transitória, sejam eles de quaisquer matizes políticas.
Para além das argumentações estáticas tanto de quem defende o programa de cotas para estudantes carentes, afro descendentes etc., como para quem é contrário a qualquer tipo de medida afirmativa, seja pela inconstitucionalidade ou pelo caráter da Universidade etc.,o fato é que o debate se transformou nessa meia década e os seus atores não conseguiram acompanhar essas mudanças.
Após cinco anos de programa de ações afirmativas o que se pode observar é que toda a argumentação conservadora não se confirmou, como a baixa na qualidade do ensino, o que nos faz crer que existe um abismo entre o foco do ensino médio e o ensino superior. Os valores são completamente diferentes até o ingresso do individuo no ensino superior, que, não incomum, sente o choque de toda aquela cobrança conteudista, adestradora e desfocada de uma função prática com o mundo que o cerca. Isso não quer dizer que as Universidades estejam as mil maravilhas, muito ao contrário, mas indica que o processo educativo em seus diferentes níveis não contempla um conceito didático/pedagógico bem definido e não são as cotas que não se encaixam com o modelo de Universidade.
Mas o que é central nessa discussão é a forma de abordagem e apropriação do sistema de cotas nas Universidades. O movimento negro de um lado se apropriou do tema como uma defesa vital e princinpiológica onde todo o seu debate foca-se na defesa da medida. Os setores conservadores tentam se basear em uma argumentação jurídica que não consegue se sustentar tendo em vista as peculiaridades da nação. O movimento estudantil por sua vez, enxerga no debate uma possibilidade de mobilizar em torno de si e potencializá-lo nas suas perspectivas. O resultado disso é imprevisível tendo em vista que cada vez menos as argumentações se aprofundam. Por conseguinte o debate é muito mal qualificado gerando uma enorme confusão entre os diferentes setores dos movimentos sociais.
Para a parcela, minoritária diga-se de passagem, do movimento estudantil que ainda insiste em uma argumentação, no mínimo antiquada, de que as cotas “divide” é necessário reavaliar a situação e qualificar o debate. A estes um Alerta: O sistema de cotas não está por ser implementado, ele já existe há cinco anos. Para o movimento negro é necessário ampliar a discussão e explicá-lo de que as cotas não são um fim em si mesmo, pois o caráter do sistema sempre foi paliativo e re-parador. Nesse sentido, nos colocamos ao lado dos setores progressistas da Universidade na defesa das cotas contra os setores conservadores que pretendem destruí-lo e negar o acesso da população historicamente excluída do ensino superior. Em contrapartida é necessário avançar a discussão acerca da função da Universidade pública apresentando-a como um fator em meio à luta de classes, e que esta cumpre um determinado papel na transformação social.
O modelo de Universidade existente é excludente e é ilusão querer fazer crer que as Universidades serão universalizadas dentro do sistema da propriedade privada. Em nenhuma nação capitalista ela é plena, pois o seu modelo de construção é determinado para formar uma determinada classe de indivíduos. Erram aqueles que dissolvem a discussão da Universidade pública em uma palavra de ordem quase sempre estéril que a famosa “luta de classes”. Por isso é importante compreender o momento histórico em que a Universidade esta inserida, colocando os debates centrais na ordem do dia no intuito de potencializar a luta dos setores historicamente excluídos da Universidade, fazendo avançar a compreensão do conjunto do movimento. Qualquer coisa fora disso é charlatanismo, divisionismo e brincar de fazer movimento (no mais complacente dos casos).
O capítulo mais recente vem da ala conservadora da sociedade brasileira e seu instrumento político parlamentar, o DEM. Este partido ingressou no STJD com uma ação que questiona a legitimidade constitucional das cotas. Não é de se estranhar, as vésperas de completar o período de experimentação, o sistema de cotas passará por um outro debate que irá avaliar se o que foi objetivado foi cumprido ou não. De certo que as cotas cumpriram um pontual papel na inserção de setores pobres da sociedade a Universidade e os números colocam qualquer contra-argumentação na defensiva, mas será necessário reorganizar taticamente as discussões no intuito de dar novas respostas para as novas questões
Em contrapartida, o ANDES-SN, se posiciona congressualmente favorável ao sistema de cotas retomando a sua tradição de lutas há muito enterrada pelas fissuras internas causadas pela divisão dos setores de extrema esquerda e da burocracia. Leia aqui a resolução do ANDES-SN: http://www.andes.org.br/imprensa/ultimas/contatoview.asp?key=6353
Nós do Coletivo Marxista O Estopim! nos colocamos ao lado dos estudantes cotistas e dos setores historicamente excluídos da nossa sociedade na defesa das medidas que visam garantir-lhes o acesso a educação superior pública e de qualidade. Entendemos que a discussão deve ser priorizada no movimento estudantil, rechaçando os argumentos despolitizados daqueles que desconhecem o real significado de uma medida transitória, sejam eles de quaisquer matizes políticas.
E assim caminha o valerioduto.
A 9ª vara criminal de Belo Horizonte aceitou, na quinta-feira 25, a denúncia contra 11 dos 14 acusados de participação no esquema do Valerioduto – o uso de caixa 2 na campanha ao governo de Minas Gerais, em 1998, do hoje senador Eduardo Azeredo (PSDB). Entre os denunciados estão o publicitário Marcos Valério e o ex-ministro das Relações Institucionais do governo Lula Walfrido dos Mares Guia.
O processo contra Azeredo, em razão de ele exercer o mandato de senador, fica sob a responsabilidade do Supremo Tribunal Federal (STF). O tribunal aceitou, em dezembro do ano passado, a denúncia contra o tucano. Marcos Valério já é réu no caso do mensalão, também em andamento no STF.
Os acusados vão responder pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. Eles teriam montado o caixa 2 para ocultar doações. Conforme a denúncia, duas agências de publicidade de Valério captaram 28,5 milhões de reais para utilizar na campanha. Como recompensa, o publicitário conseguiu depois firmar contratos com um banco público, o Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge), e duas empresas estatais – a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig). Teriam sido desviados 3,5 milhões por meio desses contratos. Os envolvidos negam o esquema de caixa 2. Apenas três dos acusados não tiveram a denúncia aceita pela juíza Neide da Silva Martins. A magistrada entendeu que não havia "elementos suficientes para sustentar a imputação a eles formulada".
Relator do Valerioduto no STF, o ministro Joaquim Barbosa decidiu, em maio de 2009, desmembrar o processo. Assim, os envolvidos – com exceção de Azeredo – passaram a responder ao processo na primeira instância da Justiça Federal. No entender da juíza Neide Martins, os crimes apontados nessa denúncia são de competência da Justiça estadual. O advogado de Valério, Marcelo Leonardo, diz que a esfera estadual não seria o foro adequado em razão de o publicitário já responder a duas ações na Justiça Federal relacionadas ao Valerioduto.
Fonte: Redação carta capital.
O processo contra Azeredo, em razão de ele exercer o mandato de senador, fica sob a responsabilidade do Supremo Tribunal Federal (STF). O tribunal aceitou, em dezembro do ano passado, a denúncia contra o tucano. Marcos Valério já é réu no caso do mensalão, também em andamento no STF.
Os acusados vão responder pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. Eles teriam montado o caixa 2 para ocultar doações. Conforme a denúncia, duas agências de publicidade de Valério captaram 28,5 milhões de reais para utilizar na campanha. Como recompensa, o publicitário conseguiu depois firmar contratos com um banco público, o Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge), e duas empresas estatais – a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig). Teriam sido desviados 3,5 milhões por meio desses contratos. Os envolvidos negam o esquema de caixa 2. Apenas três dos acusados não tiveram a denúncia aceita pela juíza Neide da Silva Martins. A magistrada entendeu que não havia "elementos suficientes para sustentar a imputação a eles formulada".
Relator do Valerioduto no STF, o ministro Joaquim Barbosa decidiu, em maio de 2009, desmembrar o processo. Assim, os envolvidos – com exceção de Azeredo – passaram a responder ao processo na primeira instância da Justiça Federal. No entender da juíza Neide Martins, os crimes apontados nessa denúncia são de competência da Justiça estadual. O advogado de Valério, Marcelo Leonardo, diz que a esfera estadual não seria o foro adequado em razão de o publicitário já responder a duas ações na Justiça Federal relacionadas ao Valerioduto.
Fonte: Redação carta capital.
Movimentos sociais conectados: o MST e o Exército Zapatista
Os movimentos sociais do século 21 consolidaram suas identidades e afinaram os seus discursos na tentativa de conquistar a opinião pública. Nesse processo, o uso da Internet como instrumento estratégico para comunicação e para organização de suas luta tem sido fundamental.
Neblina Orrico
(28/04/2009)
O protagonismo social e político dos movimentos sociais na América Latina ganhou uma nova forma de expressão com a utilização da Internet como aliada e ferramenta de luta. Dois movimentos sociais fazem uso da rede mundial de computadores como arma estratégica: o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Brasil, e o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), no México [1].
Por meio do uso da Internet, esses dois protagonistas disponibilizam informações divulgando a “sua versão” dos fatos e dos objetivos da sua luta, na tentativa de construir novos canais para uma nova sociabilidade [2].
Na construção do discurso dos sites “oficiais” dos dois movimentos foram desenvolvidas e utilizadas uma nova visão e uma nova representação das maneiras dos integrantes desses movimentos sociais lutarem por seus objetivos. Muitas vezes, esses sites – e todo o seu conteúdo – funcionam como principal instrumento de comunicação e como arma estratégica na elaboração das agendas dos movimentos sociais da atualidade. Funcionam ainda como contraponto ao discurso construído pelos meios de comunicação acerca das suas identidades. A construção de novos discursos que geram impactos na sociedade e se transformam em notícia é uma preocupação permanente da maioria dos movimentos sociais da atualidade, pois essa é uma maneira de legitimar suas ações e construir suas identidades.
Além disso, esses dois movimentos passaram a atuar em rede entre si e com outros atores sociais e construíram uma forma de luta, coordenando e conduzindo suas ações com o uso da Internet. Foram capazes de criar novas oportunidades de se apresentar ao mundo, de legitimar as ações, de divulgar as demandas pelas quais lutam, de pressionar os meios de comunicação tradicionais a noticiarem com menos parcialidade fatos ligados a eles e de eles próprios noticiarem fatos ligados às suas lutas.
Uma das características mais fortes do EZLN é a importância que seus membros dão para a opinião pública. Sabendo que as informações transmitidas na rede mundial de computadores podem chegar sem nenhum “tratamento” ao computador do público, os zapatistas têm o cuidado de utilizar uma comunicação estrategicamente transparente, uma linguagem simples e capaz de comunicar quem são e o que querem. Ela traz detalhes do dia-a-dia das comunidades zapatistas para o cotidiano das pessoas, ganhando a confiança de quem busca informações sobre eles de uma forma nunca antes feita por outros movimentos sociais latino-americanos.
Ao iniciar a utilização da internet como estratégia de luta, há mais ou menos seis anos, o MST também deu início a um “burilamento” de seu discurso, abandonando a sua velha tática discursiva para usar uma nova maneira de divulgar informações sobre o movimento para o resto da sociedade. Isso é consequência do processo de aquisição de identidade e consciência próprias pelo qual os trabalhadores e trabalhadores rurais sem-terra se afirmam como sujeitos sociais atuantes. Concomitantemente com o início da informatização do MST, foi iniciada a etapa de mostrar ao mundo que o movimento é integrado por pessoas altamente comprometidas com a luta pela democratização da terra no Brasil e não por arruaceiros, como tenta mostrar a mídia tradicional. Além disso, é preciso destacar a iniciativa do movimento de investir em um ambicioso projeto de inclusão digital dos trabalhadores rurais que já estão assentados. Para o MST, é importante que os camponeses e seus filhos tenham acesso às novas tecnologias como tentativa de incentivá-los a permanecer no campo, sem deixar de estarem informados sobre o que se passa no mundo.
O cotejo entre o discurso do MST e do EZLN mostrou que os dois movimentos sociais utilizam maneiras diferentes para atingir a sociedade por meio da rede mundial de computadores. O discurso emancipatório dos movimentos sociais, agora veiculado também pela internet, representa uma nova maneira de lutar pela mudança social. Enquanto os zapatistas preferem uma linguagem muito mais poética e metafórica, que resgata elementos da linguagem indígena dos Chiapas, mas que, mesmo assim, é simples e transparente, o MST investe na objetividade e em textos jornalísticos para alcançar o internauta. Numa época em que a linguagem adquiriu evidência e centralidade na constituição, manutenção e desenvolvimento das nossas sociedades, os sites dos movimentos se tornaram verdadeiros cartões de visita, apresentando e divulgado a bandeira de luta do movimento, seja pela realização da reforma agrária, seja por justiça social e por democracia. Graças à Internet, eles obtêm visibilidade pública e angariam simpatizantes que se tornam adeptos das suas bandeiras de luta e apoiam suas causas.
As análises sobre os movimentos sociais constituídos no fim do século passado ou mesmo no início deste século devem necessariamente levar em consideração que esses novos movimentos sociais do século 21 aprenderam a utilizar a internet como ferramenta para criar novas conexões que buscam diminuir as fronteiras entre eles e a sociedade, vinculando a sua luta particular a uma luta maior contra as velhas e as novas formas de dominação. Atualmente, os movimentos sociais tentam mudar a realidade social, contribuindo com a (re)construção de uma simetria das relações de poder por meio do discurso divulgado em suas páginas de internet.
[1] As constatações deste artigo são resultado de uma pesquisa qualitativa, feita em 2005, que analisou textos virtuais e entrevistas com representantes dos dois movimentos em questão para a realização da dissertação de mestrado Movimentos sociais e a internet da mesma autora.
[2] Lévy (1999, p. 256
Fonte: Le Monde Diplomatique/ Brasil
Neblina Orrico
(28/04/2009)
O protagonismo social e político dos movimentos sociais na América Latina ganhou uma nova forma de expressão com a utilização da Internet como aliada e ferramenta de luta. Dois movimentos sociais fazem uso da rede mundial de computadores como arma estratégica: o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Brasil, e o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), no México [1].
Por meio do uso da Internet, esses dois protagonistas disponibilizam informações divulgando a “sua versão” dos fatos e dos objetivos da sua luta, na tentativa de construir novos canais para uma nova sociabilidade [2].
Na construção do discurso dos sites “oficiais” dos dois movimentos foram desenvolvidas e utilizadas uma nova visão e uma nova representação das maneiras dos integrantes desses movimentos sociais lutarem por seus objetivos. Muitas vezes, esses sites – e todo o seu conteúdo – funcionam como principal instrumento de comunicação e como arma estratégica na elaboração das agendas dos movimentos sociais da atualidade. Funcionam ainda como contraponto ao discurso construído pelos meios de comunicação acerca das suas identidades. A construção de novos discursos que geram impactos na sociedade e se transformam em notícia é uma preocupação permanente da maioria dos movimentos sociais da atualidade, pois essa é uma maneira de legitimar suas ações e construir suas identidades.
Além disso, esses dois movimentos passaram a atuar em rede entre si e com outros atores sociais e construíram uma forma de luta, coordenando e conduzindo suas ações com o uso da Internet. Foram capazes de criar novas oportunidades de se apresentar ao mundo, de legitimar as ações, de divulgar as demandas pelas quais lutam, de pressionar os meios de comunicação tradicionais a noticiarem com menos parcialidade fatos ligados a eles e de eles próprios noticiarem fatos ligados às suas lutas.
Uma das características mais fortes do EZLN é a importância que seus membros dão para a opinião pública. Sabendo que as informações transmitidas na rede mundial de computadores podem chegar sem nenhum “tratamento” ao computador do público, os zapatistas têm o cuidado de utilizar uma comunicação estrategicamente transparente, uma linguagem simples e capaz de comunicar quem são e o que querem. Ela traz detalhes do dia-a-dia das comunidades zapatistas para o cotidiano das pessoas, ganhando a confiança de quem busca informações sobre eles de uma forma nunca antes feita por outros movimentos sociais latino-americanos.
Ao iniciar a utilização da internet como estratégia de luta, há mais ou menos seis anos, o MST também deu início a um “burilamento” de seu discurso, abandonando a sua velha tática discursiva para usar uma nova maneira de divulgar informações sobre o movimento para o resto da sociedade. Isso é consequência do processo de aquisição de identidade e consciência próprias pelo qual os trabalhadores e trabalhadores rurais sem-terra se afirmam como sujeitos sociais atuantes. Concomitantemente com o início da informatização do MST, foi iniciada a etapa de mostrar ao mundo que o movimento é integrado por pessoas altamente comprometidas com a luta pela democratização da terra no Brasil e não por arruaceiros, como tenta mostrar a mídia tradicional. Além disso, é preciso destacar a iniciativa do movimento de investir em um ambicioso projeto de inclusão digital dos trabalhadores rurais que já estão assentados. Para o MST, é importante que os camponeses e seus filhos tenham acesso às novas tecnologias como tentativa de incentivá-los a permanecer no campo, sem deixar de estarem informados sobre o que se passa no mundo.
O cotejo entre o discurso do MST e do EZLN mostrou que os dois movimentos sociais utilizam maneiras diferentes para atingir a sociedade por meio da rede mundial de computadores. O discurso emancipatório dos movimentos sociais, agora veiculado também pela internet, representa uma nova maneira de lutar pela mudança social. Enquanto os zapatistas preferem uma linguagem muito mais poética e metafórica, que resgata elementos da linguagem indígena dos Chiapas, mas que, mesmo assim, é simples e transparente, o MST investe na objetividade e em textos jornalísticos para alcançar o internauta. Numa época em que a linguagem adquiriu evidência e centralidade na constituição, manutenção e desenvolvimento das nossas sociedades, os sites dos movimentos se tornaram verdadeiros cartões de visita, apresentando e divulgado a bandeira de luta do movimento, seja pela realização da reforma agrária, seja por justiça social e por democracia. Graças à Internet, eles obtêm visibilidade pública e angariam simpatizantes que se tornam adeptos das suas bandeiras de luta e apoiam suas causas.
As análises sobre os movimentos sociais constituídos no fim do século passado ou mesmo no início deste século devem necessariamente levar em consideração que esses novos movimentos sociais do século 21 aprenderam a utilizar a internet como ferramenta para criar novas conexões que buscam diminuir as fronteiras entre eles e a sociedade, vinculando a sua luta particular a uma luta maior contra as velhas e as novas formas de dominação. Atualmente, os movimentos sociais tentam mudar a realidade social, contribuindo com a (re)construção de uma simetria das relações de poder por meio do discurso divulgado em suas páginas de internet.
[1] As constatações deste artigo são resultado de uma pesquisa qualitativa, feita em 2005, que analisou textos virtuais e entrevistas com representantes dos dois movimentos em questão para a realização da dissertação de mestrado Movimentos sociais e a internet da mesma autora.
[2] Lévy (1999, p. 256
Fonte: Le Monde Diplomatique/ Brasil
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