da coordenação
reproduzimos aqui a polêmica entrevista de josé paulo bisol, candidato a vice-presidente na chapa de lula da silva em 89, quando da derrota para collor de melo. críticas ao pt, a este modelo de democracia e fundamentalmente a luta pelos direitos humanos no brasil atual.
desejamos a todos e todas uma boa leitura.
Por Samir Oliveira e Rachel Duarte do sul21
Ex-secretário de Segurança Pública do governo Olívio Dutra (PT), José Paulo
Bisol afirma que passou sua gestão inteira tentando desmilitarizar a Brigada
Militar. “Eles são submetidos a uma educação militar antidemocrática”,
considera.
Aos 85 anos, José Paulo Bisol recebeu a equipe do Sul21 em sua casa,
no município de Osório, para falar sobre segurança pública e policiamento.
Ex-candidato a vice de Lula em 1989, quando ainda era filiado ao PSB, Bisol
ainda mantém uma filiação formal ao PT – apenas por não ter se dado ao trabalho
de cancelar -, mas assegura que não possui mais identificação com o partido. “O
PT não existe mais”, entende.
Nesta entrevista, Bisol comenta também sobre as manifestações que vêm ocorrendo
no país. Ele se mostra entusiasmado com o movimento, mas lamenta que as causas
defendidas, na sua avaliação, sejam “muito pobres”.
“A função policial é a mais difícil que existe e escolhemos
os mais pobres para realizá-la”
Sul21 – Como o senhor avalia estes protestos que vêm
ocorrendo no país inteiro ?
Bisol – Eu, pela própria condição da minha vida, sou um espectador, olho
de longe. Isso já lamento. É um lamento de velho, pois eu gosto é de
participar. Sou solidário com eles. O fato de haver violência é inerente a
estes movimentos. O ser humano tem tendência para a violência e se a
circunstância o envolve… Por melhor que eu seja, se eu me envolvo num
movimento, se eu tenho paixões – e se eu não tenho paixões, não sou bem um ser
humano -, essas paixões se manifestam e se põem para fora. A violência tem esse
aspecto, ela é nossa. Não é dos outros.
“Eu fico impressionado com esse movimento”