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25 de outubro de 2017

Carta Aberta do II Acampamento do Coletivo O Estopim!



Carta Aberta do II Acampamento do Coletivo O Estopim!

Nós do Coletivo O Estopim! acampados no Centro de Estudos e Ação social (CEAS), Salvador, Bahia, nos dias 8 e 9 de Setembro lançamos como síntese da nossa intensa programação de formação política, articulações e planejamento:
Carta Aberta Aos Trabalhadores, Trabalhadoras, Estudantes e Juventudes Do Campo e da Cidade :
O Coletivo O Estopim! está há 9 anos se propondo a incendiar corações e mentes e a organizar de maneira horizontal todos aqueles/as que acreditam na construção de uma sociedade mais justa e menos desigual.
Nos colocamos nas fileiras dos movimento sociais, construindo os CA´s, DA´s, DCE´s, os movimentos de juventude, nas comunidades e periferias, União dos Estudantes da Bahia (UEB), União Nacional dos Estudantes (UNE), Associação de Casas de Estudantes da Bahia (ACEB), em defesa da Assistência Estudantil, nos Conselhos de Juventude, construindo o Centro Político e Cultural João Leonardo, defendendo os direitos humanos, combatendo o racismo, a LGBTfobia, o machismo, construindo a Associação Raízes do Semiárido para uma maior consciência socioambiental.
Com o tema do acampamento "Ocupar, resistir e transformar: por uma juventude socialista e popular" acreditamos que só a partir da organização do povo construiremos uma saída revolucionária e popular.

São grandes os desafios da classe trabalhadora na atual conjuntura de crise econômica e política, aprofundamento do golpe de estado no Brasil, tentativa de golpe na Venezuela, aumentos da tensão no oriente médio e na península coreana, e com uma brutal ofensiva neoliberal sobre os direitos do nosso povo e o crescimento do fascismo. O nosso compromisso é com a luta do povo brasileiro, com a luta dos oprimidos e explorados pelo capital, por isso acreditamos na Frente Povo Sem Medo e na construção da plataforma Vamos! e também nós somamos as luta para emancipação do povo brasileiro que se dá a partir da busca por direitos fundamentais, como o direito ao trabalho, habitação, saúde, educação, mobilidade e acesso, e na ampla aliança na luta contra o fascismo.

O aprofundamento das medidas do desgoverno golpista-ilegítimo estão demonstradas no abafa a operação lava jato que chegou ao PSDB, PMDB, PP, DEM, historicamente aliado do judiciário burguês, e para que a classe trabalhadora pague a conta da crise capitalista, e entregando as riquezas do nosso país aos países imperialistas, retirando assim o futuro dos brasileiros. A educação sofre ataques diários, o corte no orçamento de 2017 é de mais do que 15% em relação ao orçamento de 2014, o congelamentos dos gastos por 20 anos, "escola sem partido", escola com religião e sem filosofia e sociologia, redução da maioridade penal, a perseguição a professores, e estudantes são graves.

As arbitrariedades e as ilegalidades da Operação Lava Jato, o governo golpista, o envolvimento do STF e um legislativo conservador deram espaço para se cogitar uma intervenção militar no Brasil. Repudiamos toda e qualquer iniciativa nesse sentido e propomos que sejam convocadas ELEIÇÕES DIRETAS GERAIS JÁ! por uma saída democrática para a crise.

No que diz respeito a vida das mulheres diante da atual conjuntura, observa-se o crescimento constante do conservadorismo, do ataque dos direitos das mulheres sobre seus próprios corpos, e o retrocesso em conquistas que são fruto de muita luta das mulheres organizadas ao longo da história. Por exemplo a reforma trabalhista, da previdência, a PEC que congelou os investimentos em saúde e educação, medidas essas que trazem pras mulheres que estão na ponta da lança ainda mais violência e opressão.

Os setores cultural e artístico demonstraram ser uma importante ferramenta de enfrentamento ao golpe, se mobilizando contra a extinção do Ministério da Cultura e contra os cortes no orçamento da cultura, apresentando várias linguagens em um contexto cultural de resistência popular.

Acreditamos que os desafios das juventudes organizadas são muitos e que os secundaristas demonstraram no final de 2015 com as ocupações das escolas, o poder dos estudantes organizados.

Estamos dispostos a construir uma ampla unidade com os setores progressistas nas escolas, nas universidades, no campo, nas comunidades e nas ruas para construir uma sociedade mais justa e menos desigual através da educação, para lutar contra Michel Temer, para defender uma educação gratuita, de qualidade e com referência na classe trabalhadora, contra a entrega das riquezas do país e contra a retiradas de direitos.

22 de março de 2017

Entre a carne e o rio – onde a esquerda se perdeu?



Por Isadora Salomão*

Nessa semana dois fatos influenciaram a política brasileira: A operação da PF, denominada Carne Fraca, que denuncia empresas nacionais e órgãos do Governo Federal de adulteração de alimentos em troca de dinheiro, e a disputa de quem foi o pai da Transposição do Rio São Francisco, tendo Alckmin, Lula, Dilma e uma pá de figuras expoentes da nossa política – que se colocam à direita e à esquerda do espectro político – fazendo de tudo para convencer do parto da criança.

2 de março de 2017

Questão racial e luta de classes


 
* Léo Coutinho

Primeiramente - além do clássico e pouco produtivo Fora Temer - é preciso trazer alguns conceitos necessários à compreensão deste texto. São eles:

Luta de classes - segundo Marx, luta de classes são conflitos entre as diferentes classes sociais, que possuem interesses antagônicos entre si, podendo se desenvolver a partir de elementos políticos, econômicos ou ideológicos.

20 de novembro de 2013

20 de novembro: dia de incendiar corações e mentes por um Brasil sem racismo.

O 20 de novembro não é e nem poderia ser considerado qualquer dia. Há precisamente 318 anos, nessa mesma data, morria Zumbi. Zumbi dos Palmares, foi o grande líder do maior reduto de resistência de negros e negras à época do Brasil Colônia: o Quilombo dos Palmares. E foi só a partir de 2011 que o 20 de novembro se tornou o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. É o momento de celebrarmos e reavivarmos os personagens que doaram suas vidas na luta contra a escravidão no Brasil, bem como os que exigem hoje uma plena reparação social e histórica por parte do Estado brasileiro a essa população.

Contudo, o racismo ainda está impregnado na nossa vida cotidiana. Pior, ainda hoje ele é coisificado e banalizado por muitos.
Nossa formação ainda é pensada sob uma concepção eurocêntrica, onde pouco ou quase nada das culturas de raízes africanas é ensinado nas escolas. O racismo institucionalizado, enquanto conseqüência do conservadorismo que infelizmente reina por aqui, ainda impede que a população negra ocupe espaços de destaque em nosso país.

Nos morros e favelas, a polícia mata cotidianamente nosso povo. São jovens, homens e mulheres que são mortos pela cor de sua pele. São milhares de Amarildo’s que somem a cada hora no Brasil levados para averiguação, ou alvos dos “autos de resistência”. Os órgãos públicos que se omitem nos casos de racismo são co-responsáveis por essa conduta.

A intolerância religiosa mata mentes, almas e corpos.

As mulheres negras recebem menos do que os homens negros quando exercem a mesma função, e os homens negros recebem menos que as mulheres e homens não negros na mesma função.

Assim, o “20 de novembro” deve ser um momento para se refletir sobre o que a população negra representa para o Brasil. É momento de se considerar o papel do negro e combater a essência predominantemente racista no nosso país. Desta forma, nos somamos na luta pela aprovação do Projeto de Lei (PL) - 6787/13, protocolado hoje pelo Deputado Federal Renato Simões, que institui o dia 20 de novembro como feriado nacional.

20 de agosto de 2013

Homenagem a Trotsky: 73 anos de sua morte

 

Ao completar 73 anos da morte de Trotsky divulgamos um texto do camarada Rob Sewell escrito no ano passado lembrando os 72 anos de sua morte. Abaixo também publicamos trechos do testamento deste grande revolucionário. 

O homem e suas ideias

O dia 20 de Agosto marcou o aniversário do assassinato de Leon Trotsky. Há 72 anos, ele foi covardemente golpeado na cabeça por uma picareta que levava nas mãos o assassino estalinista. Trotsky logo entrou em coma e morreu no dia seguinte, 21 de Agosto de 1940.
O ataque não foi surpresa. Desde que Trotsky chegou ao México a imprensa estalinista estava ocupada em caluniar o Velho preparando o terreno para um ataque assassino. Ao mesmo tempo, Moscou travava uma campanha internacional massiva contra ele, infiltrando o movimento e, sob as ordens de Stalin, preparando sua morte.

Seguindo o fim da Guerra Civil Espanhola, os agentes estalinistas da NKVD foram despachados para o México para executar o plano. O primeiro assalto ocorreu em Maio de 1940, quando o quarto de Trotsky foi atacado a tiros e Robert Sheldon Harte, seu secretário de sua segurança, foi sequestrado e morto. O corpo de Sheldon foi descoberto depois em um poço de cal. Stalin ficou desesperado em seus esforços para eliminar Trotsky, um dos poucos velhos bolcheviques ainda vivos – o resto tinha sido assassinado por Stalin durante os Processos de Expurgos de 1936-38. Estes horrorosos processos, onde os réus eram forçados a envolverem-se em mentiras e crimes terroristas supostamente organizados por Trotsky, constituíram um rio de sangue, diferenciando o estalinismo contrarrevolucionário do genuíno Bolchevismo.

Stalin sabia que tendo traído a Revolução ele precisava eliminar aqueles que a defendiam e personificavam as ideias do Bolchevismo e da revolução mundial. Primeiro de tudo, isso recaiu sob Leon Trotsky, que tinha sido expulso para um exílio há cerca de onze anos atrás. Todos os recursos do estado Russo eram agora postos à disposição para executar seu assassinato. Muito antes, Stalin tinha assassinado vários colaboradores e amigos de Trotsky, sete de seus secretários e quatro de seus filhos – o ultimo deles, Leon Sedov, no início de 1938.

Trotsky foi um revolucionário e teórico excelente. No início de 1904, ele expôs a teoria da Revolução Permanente, que foi confirmada na prática pela Revolução de Outubro. Trotsky passou toda a sua vida no movimento revolucionário, liderou o Conselho Operário de Petrogrado em 1905, liderou com Lênin a Revolução de Outubro de 1917, criou o Exército Vermelho a partir da estaca zero, ajudou a construir a Terceira Internacional, e então, lutando contra a burocracia estalinista, foi cortado do poder e forçado a exilar-se por Stalin.

8 de agosto de 2013

Algumas lições de junho e o Partido dos Trabalhadores

Wanderson Pimenta*

Tivemos a oportunidade de acompanhar as maiores mobilizações dos últimos vinte anos. Desta vez, não estava em jogo os destinos institucionais da República, como no “Fora Collor” ou nas “Diretas Já”. Foram atropelados todos aqueles que imaginavam com certo de ar superioridade que havíamos atingido um status de bem estar social incompatível com grandes insatisfações. Enfim, se éramos um “País de classe média”, se estávamos todos absorvidos por um pacto de conciliação entre as classes e se o governo de composição

conseguia minimamente apresentar respostas a problemas seculares, como a redução da miséria, a partir do incremento das políticas de inclusão, qualquer previsão sobre algum tipo de convulsão social seria considerada loucura pelos céticos de plantão. Acontece que, nem sempre, as cartomantes a serviço da institucionalidade estão conectadas com o dia-a-dia das ruas. De tão acostumados ao ar condicionado das repartições, não conseguem mais se misturar aos novos ares das manifestações sem se resfriarem.

Assim, seria difícil imaginar que essa esquerda dispusesse de alguma condição para interpretar ou apresentar respostas às grandes mobilizações de junho. Atônitos, vendo pela televisão ou pela internet centenas de milhares de pessoas nas ruas de diversas cidades, não conseguiam acreditar no que viam. Os fatos que já desmentiam o triunfalismo medíocre há alguns anos, desta vez, sepultaram a tese do bem estar perpétuo propagada pelos tribunos da esquerda adepta “das leis e da ordem”. Entendemos com pesar, sob pena de do cometimento de equívocos, mas com a sobriedade da análise do momento, que a geração que fundou o Partido dos Trabalhadores, dirigiu o mesmo durante as grandes manifestações dos anos 80, criou a CUT, elegeu e reelegeu Lula, levou Dilma à presidência e, ainda mantém o PT sob férreo controle, foi completamente superada. Incapazes de abandonar as suas posições que, reconhecemos, foram duramente conquistadas, estão tão amarradas a elas que já não se diferenciam. Entrincheirados, já não se dispõem a qualquer tipo de revisão, retificação ou autocrítica. Como aqueles que se afogam, estão dispostos a arrastar com eles não apenas o salva-vidas, mas também o bote. De tanto nadarem a favor da correnteza, não conseguem visualizar o abismo adiante. De timoneiros, passaram a proprietários do navio.

28 de julho de 2013

A ocupação do CPD e a (des) assistência estudantil na UFBA




A história da Residência Universitária 5- Estudante Frederico Perez tem em sua raiz a luta. Fruto da bem sucedida ocupação do prédio Farmácia-Escola por cerca de oito meses em 2006, fez jus esta semana á si própria: compreendeu que as bandeiras da assistência estudantil na UFBA só avançam quando lutamos. Nossa história comprova que conquistas vem de maneira contundente através de ocupações.

Assim, no dia 22 de julho, ocupamos, residentes e bolsistas cadastrados na PROAE e em situação de vulnerabilidade sócio- econômica, o prédio do centro de processamento de dados, ao lado do Instituto de Matemática. Cerca de 50 estudantes por lá ficaram até o dia 27 de julho, entre idas e vindas da Administração Central, diálogos, brigas e festas, nosso objetivo foi majoritariamente alcançado. Dentre os 21 pontos de reinvindicação, inúmeros foram atendidos, dentre eles o auxilio café da manha de R$ 150,00 para quem recebe o auxilio moradia, aumento do auxilio moradia de R$300 para R$400,00,bolsa emergencial para os cotistas que aguardam seu cadastro na PROAE , assim como a conquista de 3 ônibus normais e 2 micro-ônibus para o buzufba (assim substituindo os ineficientes atuais 4 micro-ônibus).

8 de julho de 2013

Por que não compomos chapa para eleições do CARB

A Faculdade de Direito da UFBa passou por um processo de movimentação politica seja por parte dos docentes seja por parte dos discentes. Dois exemplos comprovar essa assertiva: O FDUBA Movimenta que levou os estudantes dessa faculdade a conhecer e frequentar importantes espaços de deliberação em nossa universidade como o CONSUNI rompendo, naquele momento, com isolamento da Faculdade de Direito em relação à universidade e entre os docentes foi a forte participação desses na greve geral ocorrida em 2012 e posterior construção e apoio a chapa APUB VIVA nas eleições da APUB SINDICATO. 

Porém, essa movimentação discente não teve consistência nem produziu os efeitos esperados, hoje a Faculdade passa pelo mesmo estado de apatia politica vivido antes desse período de movimentação.

Tínhamos, nesse processo de eleição do CARB, a oportunidade de tornar a faculdade de Direito um centro premente de debate e formação politica colocando em discussão assuntos em foco no cenário atual como, Projeto de Educação, adesão da UFBa ao SISU , Direitos humanos/ Comissão da Verdade, Democratização da mídia, redução da maior idade penal , Assistência Estudantil, Segurança na Universidade, Fundações na universidade Passe livre, dentre tantos outros assuntos.

Pautamos pela construção de uma Frente Ampla que unificasse a esquerda na faculdade de Direito, construída com base em um programa politico, partindo da concepção de que a divisão da esquerda só fortalece a direita. 

O CARB é uma entidade de BASE, e como tal possui ou deveria possuir algumas peculiaridades no processo de composição de chapa para sua eleição:

29 de junho de 2013

da coordenação

reproduzimos aqui a polêmica entrevista de josé paulo bisol, candidato a vice-presidente na chapa de lula da silva em 89, quando da derrota para collor de melo. críticas ao pt, a este modelo de democracia e fundamentalmente a luta pelos direitos humanos no brasil atual.

desejamos a todos e todas uma boa leitura.




Por Samir Oliveira e Rachel Duarte do sul21

Ex-secretário de Segurança Pública do governo Olívio Dutra (PT), José Paulo Bisol afirma que passou sua gestão inteira tentando desmilitarizar a Brigada Militar. “Eles são submetidos a uma educação militar antidemocrática”, considera.

Aos 85 anos, José Paulo Bisol recebeu a equipe do Sul21 em sua casa, no município de Osório, para falar sobre segurança pública e policiamento. Ex-candidato a vice de Lula em 1989, quando ainda era filiado ao PSB, Bisol ainda mantém uma filiação formal ao PT – apenas por não ter se dado ao trabalho de cancelar -, mas assegura que não possui mais identificação com o partido. “O PT não existe mais”, entende.

Nesta entrevista, Bisol comenta também sobre as manifestações que vêm ocorrendo no país. Ele se mostra entusiasmado com o movimento, mas lamenta que as causas defendidas, na sua avaliação, sejam “muito pobres”.

“A função policial é a mais difícil que existe e escolhemos os mais pobres para realizá-la”
Sul21 – Como o senhor avalia estes protestos que vêm ocorrendo no país inteiro ?
Bisol – Eu, pela própria condição da minha vida, sou um espectador, olho de longe. Isso já lamento. É um lamento de velho, pois eu gosto é de participar. Sou solidário com eles. O fato de haver violência é inerente a estes movimentos. O ser humano tem tendência para a violência e se a circunstância o envolve… Por melhor que eu seja, se eu me envolvo num movimento, se eu tenho paixões – e se eu não tenho paixões, não sou bem um ser humano -, essas paixões se manifestam e se põem para fora. A violência tem esse aspecto, ela é nossa. Não é dos outros.
“Eu fico impressionado com esse movimento” 

12 de junho de 2013

Universidade Federal da Bahia em luto

 


O Coletivo O Estopim! lamenta profundamente a morte da estudante do curso de Arquivologia da Universidade Federal da Bahia, Ana Carla Baldini Soares.
 
Na manhã desta última terça-feira, 11 de junho, a estudante foi vítima da violência que governa a cida
de de Salvador. O que aparenta ter sido uma bala perdida nas proximidades da Faculdade de Medicina (Famed), no Vale do Canela, é reflexo do abandono que vive a cidade e da má compreensão de Segurança Pública na Bahia e no Brasil.

29 de abril de 2013

II Seminário de Direitos Humanos da UNE


O II Seminário de Direitos Humanos da UNE deverá contemplar leituras, diagnósticos e análises sobre a realidade histórica e atual dos Direitos Humanos, do ponto de vista dos mais diversos campos de atuação e dos diversos atores sociais envolvidos, de modo a indicar ou inferir caminhos na solução da problemática examinada. Tem foco principal no debate da Comissão da Verdade e dos mortos e desaparecidos políticos.

O II SDH da UNE irá ocorrer nos dias 2, 3 e 6 de maio deste ano, na Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, campus de Florianópolis, e é organizado pela Diretoria de Direitos Humanos da UNE e Centro Acadêmico Livre de Economia - CALE.

Confira a programação:

23 de fevereiro de 2013

Projetos diferentes

Virou chavão, tanto de setores da direita, quanto de esquerda, reclamar da falta de um projeto para o Brasil. Todos reclamam dessa ausência, como se isso fosse tarefa de outros. Porém, de forma aberta ou mascarada, cada um à sua maneira, colocam em pauta suas próprias propostas.

À direita, por exemplo, o que existe é a tentativa, disfarçada, de retomar o projeto neoliberal, que entrou em colapso, mas ainda mantém seus restos fazendo estragos. Propostas de choque de gestão não passam da pretensão de remodelamento neoliberal, embora isto possa impressionar alguns setores sociais. Ao centro, a burguesia liberal procura um projeto de capitalismo sustentável, de alta rentabilidade e pequena turbulência, como se o capitalismo fosse capaz de unir esses dois aspectos irreconciliáveis de sua natureza.

8 de fevereiro de 2013

Nota em solidariedade aos 72 estudantes denunciados e ao movimento estudantil da USP

Estamos vivenciando um período de ataques aos direitos democráticos conquistados por anos de lutas dos trabalhadores e da juventude. Assassinatos recentes dos companheiros sem terra, dos sem teto, militantes LGBT, indígenas e da juventude negra nos bairros empobrecidos das grandes cidades, demonstram que, do ponto de vista da democracia, o Brasil ainda deve muito ao seu próprio povo. A espetacularização de julgamentos essencialmente políticos por parte da “grande” mídia, o linchamento público de dirigentes partidários e lideranças dos movimentos sociais, apontam que as nossas tarefas são muitas e que a vigília deve ser permanente.

Nesse sentido, nos solidarizamos aos 72 estudantes denunciados pelo Ministério Público de São Paulo e ao movimento estudantil da USP. Tal ataque não está isolado de um contexto mais amplo de uma ofensiva conservadora contra os movimentos sociais. Devemos combater com todas nossas forças a judicialização da política já que, o Poder Judiciário, insusceptível de qualquer tipo de controle social, é um terreno hostil aos trabalhadores e à juventude. Dentre todas as acusações feitas aos estudantes, como as de dano ao patrimônio público, pichação, desobediência judicial, a que mais chama a atenção é a de formação de quadrilha, tipo penal utilizado para criminalizar o MST, por exemplo, nos dias de hoje e, para descaracterizar movimentos de contestação em geral, como no período da ditadura civil-militar, quando o Judiciário foi conivente em face do massacre contra os estudantes organizados do período.

7 de fevereiro de 2013

Entrevistas históricas: o escritor H.G. Wells entrevista Lenin



O britânico H.G.Wells (1866-1946) já tinha publicado seus famosos romancesA Guerra dos Mundos, A Ilha do Dr. Moreau e O Homem Invisível quando foi à Rússia, em outubro de 1920, e se encontrou com Vladimir Ilitch Lenin (1870-1924), o líder da revolução ocorrida no país três anos antes. Wells nunca foi marxista nem acreditava na chegada do socialismo ao poder pela via revolucionária. Sim, era socialista, mas um socialista utópico.

No entanto, ganha visível simpatia e admiração intelectual por Lenin nesse encontro que um amigo em comum, o também escritor Máximo Gorki (1868-1936), tornou possível. Wells chega ressabiado, cheio de críticas ao que viu no país até ali e cético com o futuro da União Soviética, mas nada foi capaz de causar tensão entre os dois: o papo flui de maneira agradável até o fim. Era a segunda vez que Wells visitava a Rússia. Ainda iria lá mais uma vez em 1934, quando entrevistou Stalin, a quem também admirou, mas achou “rígido demais”.

A entrevista foi publicada no The Sunday Express (edição de domingo do Daily Express), entre vários artigos que Wells escreveu sobre a viagem. No ano seguinte, saiu em livro, com o título Russia In the Shadows (Rússia nas Sombras). A conversa com Lenin, que traduzi e transcrevo aqui quase na totalidade, ocupa o penúltimo capítulo do livro. A edição original pode ser encontrada online, em inglês. É uma narrativa fascinante, rica em descrições e muito saborosa, que nada deixa a desejar ao “new journalism” que surgiria apenas 40 anos depois. Espero que desfrutem.

Fonte: http://www.socialistamorena.com.br

1 de fevereiro de 2013

Balanço do 14º CONEB da UNE


No último dia 18 de janeiro iniciou-se o 14º Conselho Nacional de Entidades de bases da União Nacional dos Estudantes na Universidade Federal de Pernambuco em Recife. O encontro teve como tema a reforma universitária e contou com diversos palestrantes que contribuíram acerca do balanço e das novas perspectivas do ensino superior no país.

Do ponto de vista dos debates e gt´s pode-se afirmar que esse conselho oportunizou uma maior e melhor discussão acerca das diversas temáticas. Ainda assim, mesmo melhor organizado, o CONEB continua insuficiente para o tamanho das pautas dos estudantes brasileiros. Os problemas de infra-estrutura continuam a afastar os menos resistentes e os atrasos em todos os espaços, tornam a plenária final maçante e carente de um conteúdo melhor desenvolvido.

14 de setembro de 2012

Balanços e perspectivas da greve estudantil 2012

A greve de 2012 faz cair por terra à concepção pós-moderna de ideias e ações reinantes no seio da Universidade Federal da Bahia. A luta de classes se aprofunda e essa instituição experimenta o mais legitimo e eficaz mecanismo de combate da classe trabalhadora revelando importantes aspectos. Se por um lado, professores e técnicos administrativos declararam guerra á exploração de sua força de trabalho – assim reafirmando o valor da mesma, por outro, o corpo discente, ao travar luta pela assistência estudantil, evidencia a essência elitista da universidade: a UFBA serve, ainda, á burguesia. 

Nesse sentido, o movimento paredista não se limita apenas á conquistas concretas. Na construção da batalha por pautas que escancaram a magnitude da exploração existente. A classe trabalhadora, de forma dialética, percebe-se como tal, e assim posiciona-se na trincheira da luta de classes. O salto qualitativo proporcionado por esse processo de mobilizações coloca o movimento docente em outro patamar, superando o anestesiamento vivido nos últimos anos. Com isso, a greve apresenta-se como fomentadora, também, dos centros organizativos do proletariado. Só há greve porque há luta de classes. 

A greve de 2012, árdua batalha construída pelo movimento estudantil, trouxe-nos conquistas objetivas e organizativas. A ausência de uma sólida e eficaz política de assistência estudantil e de diálogo construtivo com a Administração Central exalta o caráter essencialmente conservador da nossa instituição. A greve conseguiu, sobretudo, durante a ocupação da FAPEX, não apenas pressionar a reitoria ao debate encaminhativo das pautas, mas também deu celeridade á concretização das mesmas, tais como o edital do BUSUFBA, os pontos de distribuição do Canela, São Lazaro e Politécnica, reativação dos grupos de trabalho, continuando um ciclo de mobilizações iniciadas desde o ano passado. 

23 de agosto de 2012

Sobre Trotsky, Assange e Pussy Riot: Um planeta sem passaporte              

Retirado do blog de Rubra Pauta

Júlio Miragaia

Planeta sem passaporte. Este é o nome do manifesto assinado por intelectuais e artistas em solidariedade a um “indesejado” Leon Trotsky em 1934. Na ocasião, Trotsky buscava asilo político da ditadura stalinista que deformou a experiência de por o proletariado no poder em 1917 na Rússia. Nenhum governo do mundo queria ter em seu território um dos principais dirigentes (junto com Lênin) da revolução russa.

O nome do manifesto também cairia como uma luva para a situação nos dias de hoje do fundador do Wik Leaks, Julian Assange. Atualmente, Assange representa uma pedra no caminho dos governos em todo o mundo e principalmente ao governo norte-americano, depois de vazar em seu site diversos segredos de estado. A última tentativa de Assange foi o asilo político no Equador, porém, mesmo com a permissão do governo de Rafael Correa para que receba asilo, o governo britânico está impedindo sua saída da embaixada equatoriana em Londres.

Pussy Riot. Uma jovem banda punk russa tem suas três integrantes com prisões decretadas por realizarem uma “oração punk” contra o presidente Putin numa catedral.

Planeta sem passaporte. São tempos em que a liberdade de questionamento é descaradamente censurada.

16 de agosto de 2012

A Greve das IFES e a UFBA

A mais longa greve do funcionalismo público dos últimos anos tem causado um impacto significativo no movimento de massas no País. Estamos vivendo um período importante onde podemos enxergar claramente que governo – patrões e trabalhadores se encontram em lados opostos. Em nossa avaliação, o processo de greves instalado país afora demonstra uma elevação da tomada de consciência da classe trabalhadora sobre o seu papel. E isso, para um governo de esquerda, não deveria ser considerado algo ruim.

No tocante à greve dos professores, acontece que, de acordo entrevistas e comunicados expedidos, através do MEC ou da AGU, não parece ser essa a opinião do Governo Federal. A pressão exercida sobre os reitores para o envio dos nomes dos grevistas para proceder no corte dos salários tem sido intensa. O Advogado Geral da União, em entrevista na imprensa, deixou claro que reitores que pagam salários a grevistas praticam improbidade administrativa. E o acordo celebrado entre o PROIFES e o Governo, repudiado pela maioria esmagadora dos professores em greve nas assembleias, deixou a situação ainda mais controversa.

Na UFBA, a situação é peculiar. A diretoria da APUB Sindicato tem tentado, desde o mês de maio, frear o movimento docente. Entretanto, em Assembleia realizada no dia 29 de maio, a greve foi deflagrada por ampla maioria. Em seguida à instituição do Comando de Greve, a diretoria convocou um plebiscito para decidir sobre o que a assembleia, legitimamente, já havia decidido. Começava aí uma batalha de idas e vindas dos membros da diretoria para dentro e para fora do comando de greve. Após o não cumprimento de diversas deliberações da categoria e convocar uma assembleia com pauta única “encerramento da greve”, a paciência da base se esgotou e, no último dia 15 de agosto, a diretoria da APUB foi destituída.

Boletim eletrônico O Estopim! - Greve e Luta de Classes


6 de agosto de 2012

Estudantes desocupam FAPEX, mas greve continua!

Ao passo que saímos da FAPEX após 13 dias de ocupação, chegamos ao segundo mês de greve dos estudantes. Esse processo diferenciado de mobilização, como há muito tempo não acontecia, reflete aos estudantes em luta o amadurecimento da categoria, comprovado pela organização de suas reivindicações e pela atuação em vista das conquistas.

Mesmo com a tentativa de criminalização, a greve discente se manteve na resistência e conseguiu pautar a Administração Central para o atendimento de suas pautas. Apesar de um duro método de negociação, colocado pela Reitoria, a obstinação estudantil deu exemplo e conquistou o BUSUFBA, agora em fase de pregão eletrônico.

Após audiência publica, da comunidade acadêmica e reitoria, realizada hoje, ficam duas lições: a primeira é que a gestão dessa universidade não tem um negociador, o que fortalece sua instabilidade e nos passa insegurança em sentar e resolver; a segunda é que, mesmo após intensa tentativa, a costura entre os três setores ainda é frágil.

Desta maneira, fica evidenciado que o próximo passo para consolidar a opinião dos segmentos combativos da Universidade é organizar um projeto de poder que possa polarizar com o conservadorismo e superá-lo. Dito isso, o movimento estudantil joga um papel protagonista para o desenvolvimento deste desafio que deve ser desde já enraizado entre os três setores.